03/09/2008 - 09h45
Cresce número de alunos inscritos em português na Europa

Lisboa - O ano letivo 2008-2009 na Europa começa com 3.500 novos alunos de português e serão ministradas mais horas-aula, apesar de mantido quase o mesmo número de professores do que no ano passado, revelam dados do Ministério da Educação de Portugal.
No ano letivo que começa agora, as aulas de português em nove países europeus serão freqüentadas por 58.228 alunos (contra 54.700 no ano anterior), totalizando 9.680 horas-aula, 280 a mais.
No ano passado, a rede oficial lusa de ensino de português no exterior tinha 517 professores distribuídos por Alemanha, Andorra, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Luxemburgo, Reino Unido e Suíça, além de África do Sul. Portugal financia as aulas de português apenas nesses países, ficando, no resto do mundo, a cargo de associações portuguesas e pais de alunos.
"O número de professores é praticamente o mesmo, mas conseguimos concentrar os horários", explicou à Agência Lusa o vice-ministro português da Educação, Jorge Pedreira.
A Espanha foi o país que mais aumentou o número de inscritos nos cursos de português, passando de 9 mil para 10.644, seguida de Suíça, com um aumento de mais de 900 estudantes, e França, onde o número de inscritos cresceu de 16.146 para 16.752.
No sentido oposto, o Reino Unido perdeu mais de duas centenas de matriculados na rede oficial.
Portugal gastará no ano letivo que se inicia agora 425 mil euros a mais no ensino do idioma, cujo orçamento passa a totalizar 37,9 milhões de euros. Segundo Jorge Pedreira, o valor ainda pode ser revisto, uma vez que os professores, que não têm aumento desde 2006, devem receber correções salariais.
Quase sem atrasos
O início das aulas de português na Europa segue o calendário escolar dos países de acolhimento. Segundo o vice-ministro luso, como foram necessárias poucas contratações para o próximo ano, as aulas não devem atrasar na maioria dos países. A única exceção é a Alemanha.
Jorge Pedreira atribui os problemas de colocação de professores na Alemanha à "grande flutuação de alunos" e à diminuição do investimento dos estados alemães na renovação do corpo docente à medida que os professores se aposentam.
No último ano, cerca de 250 alunos ficaram sem aulas de português no país, situação que a coordenadora local de ensino da língua acredita que não se repetirá este ano. Maria Antonieta Mendonça disse à Lusa que apenas seis turmas estão sem professor e que os postos devem ser preenchidos na primeira quinzena de setembro.
Na Alemanha, a maior parte dos estados assumiu a responsabilidade pelo ensino de português, enquanto outros atribuem subsídios ou cedem espaços para as aulas.
Na Suíça, o ano letivo está começando por etapas desde 11 de agosto, estando previsto para esta semana o início das aulas em Valais, Genebra, Vaud e Ticino.
Na França, país com o maior número de alunos inscritos, o início das aulas está marcado para esta quarta-feira (3), restando sem professor apenas seis das 122 turmas.
O ano letivo 2008-2009 é de transição, uma vez que Lisboa aprovou uma nova estratégia para a promoção da língua portuguesa, que vai transferir para o Instituto Camões a gestão da rede de ensino do português como língua estrangeira.
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