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08/09/2008 - 06h00

Deputado quer direito constitucional na escola; conselheiro diz que "é o fim do mundo"

Mariana Tramontina
Em São Paulo
  • Inclusão de disciplinas melhoraria o ensino brasileiro? Comente


  • Em São Paulo, um deputado tenta incluir na grade curricular do ensino médio a disciplina de direito constitucional. "Sou do tempo em que se cantava o hino nacional antes de entrar na sala de aula", conta Waldir Agnello (PTB), autor do projeto. "Estudei organização social e política do Brasil na escola. Lembro com saudosismo positivo desses princípios de cidadania que foram incutidos na civilização daquela época".

    Segundo o político, a mídia faz campanha sobre o valor do voto e da escolha certa de seus representantes, mas os jovens não têm condição de decidir porque não conhecem os princípios básicos de cidadania. "Por isso é importante essa disciplina. Se com 16 anos eles podem votar, por que não saber o que é uma Lei Maior?", questiona, enfatizando a "atual apatia dessas questões".

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  • Argumentos para a implementação não faltam, mas nem todos concordam. "É o fim do mundo colocar direito constitucional para esses meninos estudarem", avalia Arthur Fonseca Filho, presidente do Conselho Estadual de Educação em São Paulo. "Fazer o aluno respeitar a constituição é um trabalho da escola como um todo, desde a educação infantil, e feita por todos os professores", defende.

    O conselheiro sabe que este é um tema importante, mas afirma que não se pode obrigar o ensino através de uma lei. "É uma irresponsabilidade do poder legislativo aprovar essas coisas, uma atrás da outra. O projeto pedagógico é da escola, não do político", diz ele, referindo-se às recentes disciplinas que se tornaram obrigatórias (filosofia, sociologia e música) pelo plenário.

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    Para Arthur, não se pode excluir disciplinas básicas da educação para esmiuçar temas que podem ser estudados dentro de matérias já existentes. "Você coloca filosofia e tira qual disciplina? Porque é impossível ter todas na mesma grade. A maioria das escolas públicas trabalham com 20 a 25 horas/aula", calcula.

    O projeto de lei 562/2006 de Agnello determina que a matéria de direito constitucional seja ministrada por professores habilitados em ciências humanas, sociais, políticas e jurídicas ou professores habilitados em direito constitucional.

    "É até possível formar professores para essas novas disciplinas, mas o problema é o conceito de impor matérias. É preciso de um estudo, de um planejamento. Ou, então, vamos aprovar a disciplina de amor ao próximo e resolvemos o problema do mundo", sugere Arthur.

    A disciplina de amor ao próximo ainda não tramita no Congresso, mas o projeto de Agnello já foi aprovado nas comissões de Constituição e Justiça, de Educação e de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa. A proposta está pronta para ser votada em plenário.
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