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18/09/2008 - 10h01

Mulheres estudam mais que homens, mas ainda têm mais dificuldade de encontrar ocupação

Da Redação
Em São Paulo
Em todas as faixas de idade, a população feminina puxa para cima as taxas de escolarização. Quando se observam os números de anos de estudos, as mulheres também estão na dianteira, perdendo para os homens apenas no grupo com 60 anos ou mais. É delas também o melhor desempenho na eliminação do analfabetismo. No entanto, as mulheres ainda apresentam menor nível de ocupação - 46,7% entre elas contra 68% entre os homens. Esses dados foram constatados pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística), divulgada nesta quinta (18).

"A mulher, embora seja a maioria da população em idade ativa [82.309 contra 77.052], é maioria na população desocupada. Isso pode vir do fato de que, se a mulher não é a cabeça do domicílio, ela pode ficar mais tempo procurando emprego. Além disso, embora tenha escolaridade superior, as empresas ainda têm restrição de que contratar a mulher, por ela já ter atividades em casa", diz Cimar Azeredo, gerente da integração Pnad e PME (Pesquisa Mensal de Emprego), do IBGE.

Segundo o relatório do IBGE, "a diferença do indicador, entre os sexos, ainda é relevante, mas os dados mostram um processo, mesmo que lento, de redução desta diferença". Desde a década de 1980, as mulheres vêem impondo um forte ritmo de entrada no mercado de trabalho. Enquanto para os homens a tendência do nível de ocupação nos últimos 15 anos foi de queda, para as mulheres, foi de elevação. O nível de ocupação dos homens caiu de 72,4%, em 1992, para 67,8%, em 2007. Neste mesmo período, o nível de ocupação das mulheres cresceu de 43,4% para 46,7%.

Números da educação entre mulheres

Segundo o IBGE, "o perfil da escolarização por gênero indicou que as mulheres tinham percentual maior de freqüência a escola que o dos homens". A maior distância aparece no grupo de 18 a 24 anos - sendo a participação das mulheres 31,8%, enquanto a dos homens é de 30%.

Em termos de analfabetismo, os índices também são mais favoráveis às mulheres: 9,8% em 2007, enquanto a dos homens de 15 anos ou mais de idade foi de 10,2%. Se for observada a evolução dos índices nos últimos 15 anos, foi entre as mulheres que a taxa dos que não sabem ler e escrever mais caiu, de 17,8%, em 1992, para 9,7%, em 2007 (8,1 pontos percentuais), contra 16,5% e 10,1% (queda de 6,4 pontos percentuais), respectivamente em 1992 e 2007, no caso dos homens.

No analfabetismo funcional, característica de quem sabe ler e escrever, mas não consegue usar essas habilidades para se aperfeiçoar intelectualmente, a taxa masculina supera a feminina em 1,1 ponto percentual: 22,2% a dos homens contra 21,1% das mulheres em termos nacionais. O comportamento do índice nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste é afinado com a taxa nacional. Porém, no Sudeste e no Sul, a situação se inverte e a taxa de analfabetismo funcional das mulheres foi maior que a dos homens.

Diferenças regionais

A pesquisa revela ainda algumas outras diferenciações regionais. Na região Norte, mulheres na faixa de 25 anos ou mais tinham uma taxa de escolarização de 9,1% enquanto os homens somavam 5,9%. Já na região Sul, elas tinham participação de 5,3% e os homens, 4,3%. Entende-se por taxa de escolaridade a percentagem de estudantes de uma faixa etária em relação ao total de pessoas desse mesmo grupo.

Quando se observam as taxas de analfabetismo, as diferenças entre homens e mulheres são maiores no Norte e Nordeste: para os homens, 11,7% e, 10,0% para as mulheres, no Norte; sendo de 21,7% e 18,3% para os homens e mulheres, no Nordeste.

Nas Regiões Sudeste e Sul, foram observados patamares menores da taxa de analfabetismo para ambos os sexos. No entanto, nessas duas regiões as mulheres tinham taxas maiores que os homens: homens (5,2%) e mulheres (6,2%), no Sudeste; homens (4,9%) e mulheres (5,9%), no Sul. Na Região Centro-Oeste, os percentuais foram de 8,2% para homens e 7,9% para mulheres.
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