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18/09/2008 - 20h12

Estagnação na taxa de analfabetismo e em anos de estudo merece atenção, diz presidente do Inep

Da Redação
Em São Paulo
Em 2007, o grupo de pessoas de 10 a 14 anos teve 4,1 anos de estudo contra 4,2 em 2006, segundo dados da Pnad 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada nesta quinta-feira (18). Outra característica que não apresentou grandes mudanças foi a taxa de analfabetismo dessa mesma faixa etária -- era de 3% em 2006 e teve ligeira subida e ficou em 3,1% em 2007. "Esses números me chamaram a atenção negativamente", apontou Reynaldo Fernandes, presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), ligado ao MEC.

No caso do analfabetismo, Fernandes aponta que a porcentagem - de 3,1% - é baixa se comparada ao índice de 1992 (era de 12,4%). O desafio maior, segundo ele é justamente baixar desses três pontos percentuais para 1%, que é uma boa taxa. "É duro colocar esse pessoal [de 10 a 14 anos] na sala de aula", comenta Fernandes. "A maioria deles nunca freqüentou a escola", completa comentando que uma parcela desses meninos e meninas pode ter alguma deficiência ou não ter condições financeiras para estudar.

Na manhã desta quinta, o ministro Fernando Haddad apresentou em Brasília o decreto 6.571/08, que reestrutura a educação especial. Ele citou a questão: 97% das crianças de seis a 14 anos estão na escola, mas o MEC tem buscado os 3% que não estão. Nesse universo estão muitas crianças com deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades ou superdotação. "Se quisermos atingir os 100%, temos que tratar indivíduo a indivíduo, para que todas as pessoas tenham acesso à educação de qualidade", enfatizou.

Aspectos positivos

Para Fernandes um dos destaques positivos foi o crescimento da cobertura, em termos de oferta de vagas nas escolas, às crianças de 4 a 5 anos - o que já sinaliza a implantação do ensino fundamental de nove anos. A taxa de escolarização subiu de 67,6% em 2006 para 70,1% em 2007.

Fernandes também comentou o melhor desempenho das meninas em relação aos meninos. Em todas as faixas de idade, a população feminina puxa para cima as taxas de escolarização. Quando se observam os números de anos de estudos, as mulheres também estão na dianteira, perdendo para os homens apenas no grupo com 60 anos ou mais. É delas também o melhor desempenho na eliminação do analfabetismo. No entanto, as mulheres ainda apresentam menor nível de ocupação - 46,7% entre elas contra 68% entre os homens.

"Ao observar as avaliações de Prova Brasil e Saeb, as meninas costumam ir melhor em português e os meninos, em matemática", diz Fernandes. "Mas elas estão aumentando a distância em português e evoluindo em matemática. O progresso educacional delas tem sido maior que o dos meninos." Ele ressalta ainda o outro lado dessa questão: "temos o problema dos meninos, que estão saindo da escola em áreas muito pobres e não estão trabalhando".
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
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