O coordenador-geral do Enade, Webster Cassiano, considera uma "prática equivocada" o boicote ao Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), antigo provão, que acontece no próximo domingo (9).
Para ele, essa atitude cria um conceito para a instituição de ensino superior que não é real. "O estudante deixa a instituição, mas ela vai acompanhá-lo pelo resto da vida. Então é importante que ele tenha uma participação efetiva, porque vai estar contribuindo para um sistema muito maior", avaliou.
Ele reconhece que a nota do Enade não é um "reflexo absoluto da realidade", mas destaca que o exame dá bons indicativos da qualidade dos cursos.
Quando o MEC detecta que um curso está com problemas, ele ajuda a instituição, propondo soluções e acompanhando a implementação dessas sugestões.
"Apesar das universidades públicas receberem um financiamento aquém das particulares, elas têm tido uma nota média maior. Esse fato mostra que é mais decisivo o objetivo da instituição. Ou seja, se ela é voltada para formar cidadãos conscientes ou se está mais preocupada em gerar lucros para o proprietário", opinou Lúcia Stumpf, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), entidade que está convocando os estudantes a entregarem suas provas em branco.
Sem Enade não tem diploma
Mais de 564 mil alunos do ensino superior vão participar no domingo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Serão avaliados quase 25 mil cursos, em 23 áreas de conhecimento, totalizando 2.367 instituições.
Como aconteceu no ano passado, a União Nacional dos Estudantes (UNE) propõe um boicote ao Enade, como forma de protesto à avaliação que o Ministério da Educação (MEC) tem feito dos cursos de graduação.
O comparecimento é obrigatório: quem não fizer a prova não recebe o diploma ao concluir o curso.
Na avaliação da UNE, o MEC não cumpre o que determina o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes). O projeto original estabelece que a avaliação deve utilizar outros instrumentos para aferir aspectos como a gestão, o corpo docente, a responsabilidade social da instituição, o projeto pedagógico do curso e variáveis que influenciam na qualidade do ensino.
"O Conceito Preliminar de Curso (novo indicador implementado esse ano que leva em consideração a infra-estrutura, a titularidade dos professores e uma avaliação dos alunos sobre o currículo do curso) foi uma conquista nossa, com o boicote do ano passado. É um avanço, mas nós acreditamos que o Sinaes ainda não é implementado na sua totalidade", afirmou Lúcia.
Para a líder da UNE, o governo federal tem tido "sensibilidade" de perceber quais cursos tiveram nota baixa devido à qualidade de ensino e quais foram mal por conta do boicote. Isso faz com que os estudantes não deixem de boicotar a prova com medo de o curso ser fechado pelo MEC por conta da nota ruim.
Mesmo assim, a UNE não defende que as instituições de ensino abram mão de participar do Sinaes (como fizeram a USP e a Unicamp). "Não somos a favor que as universidades criem mecanismos próprios de avaliação. Acreditamos que é papel do Estado ter condições de avaliar as instituições, auxiliar as que tiveram nota ruim."
*Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil
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