Tradicional dia de praia, o domingão de cerca de 35 mil estudantes universitários cariocas está sendo em frente a uma prova numa sala fechada. Neste domingo (9),
eles foram convocados para o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) 2008.
O MEC está avaliando mais de 564 mil estudantes em todo o país para avaliar a qualidade de mais de 20 graduações.
O clima na entrada da prova era de revolta no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Botafogo. Além de não concordarem com a obrigatoriedade do exame sem o qual não é possível obter o diploma, alguns dos alunos vieram de locais distantes e reclamavam do transtorno.
Estudantes de pedagogia que vieram do Encantado, bairro do subúrbio do Rio, passaram por um tiroteio no Morro da Mineira antes de chegarem ao local da prova que fica em Botafogo. "Acho um absurdo a gente ser obrigado a fazer a prova", reclamou Michelle Christina, 30 anos, 2º período da Faculdade São Judas Tadeu. "Vou fazer a prova de qualquer jeito [sem a menor preocupação]", completou. A turma do Encantado esteve no
grupo dos avaliados que praticamente só assinou a prova e já havia saído com menos de de 30 minutos após o fechamento do portão.
"A gente já vem chateado pra cá porque é uma coisa punitiva e arbitrária", diz Fabiana Bento da Silva, 29. Ela e um grupo de colegas da pedagogia da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) do campus de Nova Friburgo alugaram uma van para a viagem de mais de 100km. Cada um deles desembolsou R$ 60 com o deslocamento. "Além de ser obrigatório, acaba saindo oneroso", reclamou.
Movimento estudantilUma integrante do movimento "Quem vem com tudo não cansa", da pedagogia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) estava em frente ao colégio panfletando a favor do
boicote ao Enade. Para coordenadores do exame,
a prática do boicote é "equivocada".
"Esse método de avaliaçao acaba sendo de mercantilização do ensino, porque cria rankings", disse Danielle Galante, 19, 2 periodo de pedagogia da UFRJ. "As [instituições] particulares criam cursos preparatórios para Enade e dão incentivos pros alunos para que elas tirem bom conceito". Em SP,
algumas instituições ofereceram reforço e incentivos aos alunos selecionados para fazer a prova.
Diana Cristina, 22, do 8º período da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), que estava nos arredores, não se deixou convencer. Ela vai fazer a prova a sério atendendo aos pedidos da coordenadora do seu curso. "Acho que os professores se esforçam por um bom curso", argumentou.
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