Atualizada às 16h44Quatro horas de viagem separam a casa da universitária Cristiane Carvalho, em Suzano, extremo leste da Grande São Paulo, do seu local de prova no Enade (antigo provão) 2008. Depois de fazer cinco trocas entre linhas de trens e metrô, ela chegou ao colégio Morumbi Sul, na capital paulista, às 13h03 deste domingo (9) - três minutos depois de os portões terem fechado.
"Não é justo. Eles me obrigam a fazer uma prova e ainda me colocam do outro lado da cidade... poderiam ao menos ter me colocado para fazer a prova na faculdade onde eu estudo", reclamou Carvalho.
Com a maior concentração de estudantes selecionados para o Enade em São Paulo, o colégio Morumbi está a 22km do centro da capital paulista. Próximo ao local havia uma estação da linha 5 do metrô, sem conexão direta com o restante da malha metroviária. Para chegar até lá, de qualquer outro ramal do metrô paulista, os universitários precisavam fazer, no mínimo, três trocas de trens.
No local, estavam inscritos 1.200 estudantes de pedagogia.
"É um absurdo. O MEC não respeita os estudantes, impõe uma prova antidemocrática, fazem a gente atravessar a cidade no domingo, quando os transportes são mais lentos, e ainda são intolerantes", reclamava Alexandro Viana, também estudante de pedagogia.
A distância dos locais de prova em relação às casas dos estudantes foi alvo de protestos também por parte de quem chegou no horário. "Demorei uma hora e meia do Tatuapé até aqui. Foi um sacrifício", disse Marcela Ambroisio.
No RioEntre os estudantes cariocas, a reclamação sobre a dificuldade de chegar ao local de prova foi ouvida pela maioria dos atrasados ouvidos pelo
UOL Educação.
Rodolfo Bianco, estudante do 2º período de engenharia mecânica, estava entre os mais revoltados críticos do transporte público. Como de ônibus ele precisaria de uma hora para chegar ao Colégio Franco-brasileiro, Bianco preferiu tomar um metrô. Mas ainda assim deu com a cara no portão fechado. "Saí do lado errado da estação Largo do Machado", justificou.
Outra universitária que não chegou a tempo foi Jackeline dos Santos, do 6º período de engenharia cartográfica. Sua intenção era fazer a prova "para não ter problema no futuro". Ela errou o caminho vindo de Piedade, na zona norte, para o colégio que se localiza no sul da capital fluminense.
Para uma estudante de Petrópolis que não quis se identificar, o atraso foi mais prejudicial. Estudante do 10º período de engenharia civil, o moço dependia da presença no Enade para conseguir o diploma. "Eu me perdi e resolvi pegar um táxi. Quando estava descendo do carro estavam passando o cadeado no portão". Agora, ele terá de esperar alguma portaria especial do MEC que o autorize a regularizar a situação no próximo ano ou terá de aguardar por três anos quando esses cursos serão novamente avaliados.
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