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09/11/2008 - 17h40

Estudantes cariocas consideram prova de pedagogia "panfleto do Governo Lula"

Júlio Trindade, Rafaella Janoski e Karina Yamamoto
No Rio e em São Paulo
Atualizada, às 21h16

Estudantes de pedagogia ouvidos pelo UOL Educação que fizeram o Enade (Exame Nacional do Ensino de Desempenho dos Estudantes) no Colégio Nossa Senhora da Lourdes, em Botafogo, neste domingo (9), consideraram a prova tendenciosa em favor do Governo.

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Segundo os alunos, algumas questões da prova específica, traziam dados que enalteciam a Educação do país nos últimos anos e criticavam gestões anteriores de forma implícita.

"A prova mais parecia um panfleto do Governo Lula. Havia também críticas ao Capitalismo. Não acho cabível este tipo de coisa atualmente, ainda mais em uma prova que tem como objetivo medir o nível da Educação no Brasil", afirmou Hannele Araújo, 24, do 6º período da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).

A estudante Eloana Rabello, 23, da Unisuam (Centro Universitário Augusto Motta), também achou a prova tendenciosa. "Algumas questões priorizavam mais o Governo do que o próprio sistema educacional do país", afirmou.

Fabiana Bento da Silva, 29, 6º período da pedagogia da Uerj em Nova Friburgo, exemplificou: "Havia uma questão que criticava educação nos anos 90 [Governo FHC] e outra perguntando sobre nova proposta de gestão em que o governo quer que diretor seja um cargo eletivo".

Também Erika Menezes, 30, que já terminou pedagogia na Gama Filho, avaliou a prova como tendenciosa: "não concordo com esse tipo de avaliação [ideológica]".

Comissões preparam diretrizes
Segundo o coordenador do Enade, Webster Spiguel Cassiano, as diretrizes para a preparação das provas indicam preocupação em ser imparcial. Essas diretrizes são elaboradas por comissões externas ao MEC, formadas por especialistas de instituições do ensino superior. "O Inep operacionaliza a avaliação e quem prepara as provas é o consórcio Cespe/Cesgranrio", conta Cassiano. "O Inep não vê as provas." O objetivo é garantir a lisura do processo e que os exames sejam preparados por uma equipe especializada em vestibulares e concursos, caso tanto do Cespe quanto da Fundação Cesgranrio.

Por conta do MEC fica a elaboração das diretrizes de avaliação. E, nesse documento, garante Cassiano, é exigido cautela para não usar termos preconceituosos, sexistas ou regionalistas.

No caso da avaliação dos estudantes cariocas que acharam a prova tendenciosa, Cassiano rebate: "da mesma maneira que acontecem nos concursos e vestibulares, pode ter dupla interpretação".

Pessoal de engenharia achou "tranqüilo"
No Liceu Franco Brasileiro, em Laranjeiras, zona sul da capital fluminense, os universitários que cursam os últimos períodos de Engenharia não tiveram problemas para realizar a prova do Enade.

Para André Luiz Laeber, que cursa o 10º período de engenharia civil na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a única dificuldade foi fazer algumas contas à mão. "Na faculdade a gente usa a calculadora", criticou. Ele afirmou que nas questões de conhecimentos gerais teve algumas dúvidas, já que esse conteúdo foi aprendido no início da faculdade.

O universitário Alan Rocha, do 9º período de Engenharia Civil da Uerj, achou a avaliação "tranqüila" e só deixou uma questão discursiva em branco porque exigia conhecimentos do semestre posterior ao dele. Antes de entrar na sala, ele disse que não tinha noção do que ia cair, mas estava confiante. "Eu vou no escuro, mas a faculdade prepara a gente", explicou ele.

"As questões de conhecimentos gerais estavam fáceis. Eu fiz tudo, não deixei nada em branco", comentou Renato Peres, estudante do 10º período de Engenharia Civil na Universidade Veiga de Almeida. Ele consultou a prova anterior para o curso de Engenharia, mas reprovou a avaliação: "O Enade é importante para a faculdade, não pra mim".

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