O movimento estudantil nacional tem "combatido" a "mercantilização do ensino" nas últimas duas décadas, pelo menos. Apesar de uma única bandeira que sempre resvala no fim do "sucateamento do ensino público", os grupos estão divididos e, segundo a organização de um deles, "engana-se quem pensa que o movimento estudantil está parado".
Polarizado por quem participa de associações, mais especificamente da UNE (União Nacional dos Estudantes), o movimento mantém pautas de reivindicações e agendas "diferentes". No entanto, a essência das ideias é a mesma e a sistematização da agenda de ações e propósitos, bastante parecida.
De um lado, a diretoria da UNE que vem ao FSM (Fórum Social Mundial) para lutar contra a inclusão da educação em tratados internacionais da OMC (Organização Mundial do Comércio) e gritar pela "soberania na Amazônia".
Do outro lado, o grupo "Vamos à Luta", que prepara um documento até o final do FSM contra a mercantilização do ensino pelo Prouni, programa de bolsas do governo federal em faculdades particulares.
Prouni e Reuni
"Os tubarões do ensino continuam lucrando com a isenção fiscal dada pelo governo (em troca da concessão de bolsas)", diz Abdik Araújo do Santos, 23, estudante de sistemas da informação na UFPA (Universidade Federal do Pará) e integrante do movimento.
Segundo as lideranças do movimento acampadas na Ufra (Universidade Federal Rural da Amazônia), outra crítica em relação ao governo federal é o Reuni, programa que pretende criar mais 44 mil vagas na rede federal de ensino superior em 2009. Já a UNE apoia o Reuni de Lula e, por isso, são acusados de "pelegos" pela oposição.
"Nós estamos na UNE, construindo uma oposição unificada de esquerda (dentro do movimento estudantil)", explica o professor de geografia e estudante da disciplina na UFPA, Gilson Pantoja, 26.
E, segundo Pantoja, estão enganados os que pensam não haver pulsão social no movimento estudantil. "O que aconteceu na UnB (Universidade de Brasília) foi um levante dos estudantes, um marco para o movimento", disse Pantoja referindo-se ao afastamento do reitor, depois de os estudantes terem ocupado a reitoria.
Todos contra o Enade
Apesar da aparente discordância, tanto a diretoria da UNE quanto o grupo que se diz oposto a ela são contra o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). "Não avalia a universidade, avalia o aluno", explica Abdik, da oposição.
A presidente da UNE, Lucia Stumpf, já declarou diversas vezes ser contra a avaliação pelo Enade também por causa da "penalização do aluno". Para a UNE, é preciso haver um sistema que avalie as condições da instituição. Nos últimos anos, a entidade tem convocado a categoria a boicotar o exame.
No Fórum Social Mundial, que acontece de 27 de janeiro a 1 de fevereiro em Belém (PA), a UNE espera reunir mais de 10 mil estudantes de 30 diferentes entidades estudantis internacionais.
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