O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Reynaldo Fernandes, afirmou nesta terça-feira (31) que o novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pode se tornar um vestibular nacional. E a adesão ao exame não está aberta somente às universidades federais: " O ingresso é aberto para todas as escolas: federais, particulares e estaduais", disse ele em entrevista ao
UOL Educação por telefone.
"Espero que a gente consiga fazer este exame. Há muito tempo, é apontada uma saída desse tipo, com uma seleção unificada que cobre conteúdos mais relevantes. O duro vai ser mudar; pode não ser fácil trocar de um sistema para outro. Mas estamos conversando com as universidades, em um acordo", afirmou. Confira a entrevista:
UOL Educação - Qual o impacto do novo Enem?
Reynaldo Fernandes - A gente vai fazer um vestibular nacional, para um país integrado, único. Os alunos poderão migrar de um estado para outro. Nos Estados Unidos, quase 20% dos estudantes fazem universidade fora do estado de origem. Acho uma mudança importante. E a ideia é cobrar habilidades fundamentais e não excesso de conhecimento para cobrir tudo o que cai no vestibular atualmente.
UOL Educação - E há problemas de segurança com uma prova desse porte?
Fernandes - Segurança sempre nos gera preocupação. Quando os exames valem o ingresso na faculdade, pode haver o incentivo de algumas pessoas a quererem burlá-los. Mas temos mecanismos para tentar coibir a cola. Outro problema relacionado com a segurança é qualquer incidente que inviabilize a aplicação do exame. Em uma prova clássica, teríamos de refazer o vestibular para todo mundo. Com esta nova tecnologia, é possível aplicar o vestibular só no lugar que teve problemas.
Como a ideia é que o Enem sirva como vestibular, o MEC afirma que a prova terá itens mais complexos. Assim, as perguntas mais difíceis seriam capazes de selecionar os candidatos com melhor preparo.
As perguntas serão elaboradas de acordo com os conteúdos definidos pelas federais junto do ministério; com base na literatura e na prática de realização de provas. Os itens serão pré-testados, para identificar o nível de dificuldade e a probabilidade de acerto com o chute dos alunos.
Segundo o Inep, os testes terão diferentes níveis de dificuldade que permitirão identificar as habilidades dos estudantes. |
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| Como será feito o novo Enem |
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UOL Educação - No novo Enem, dois estudantes poderão fazer provas diferentes, com perguntas distintas?
Fernandes - Sim. É possível aplicar várias versões de provas, a tecnologia permite. Mas não sabemos ainda se vamos aplicar esse recurso.
UOL Educação - Mas se dois candidatos fizerem provas diferentes, isso não pode pôr em dúvida a legitimidade do exame?
Fernandes - Pode acontecer, mas temos que mostrar que isso não é um problema. A tecnologia de prova usada foi desenvolvida nos anos 50 e aplicada nos anos 80. E ela nos garante que é possível selecionar os candidatos. É uma mudança de um modelo clássico, para outro mais sofisticado. É mais difícil para as pessoas compreenderem, mas elas se acostumam. Temos um trabalho técnico, a tecnologia desenvolvida e, para aplicá-la, às vezes, é preciso sair um pouco do senso comum. Precisamos evoluir.
UOL Educação - O estudante que vai prestar Enem neste ano deve ficar preocupado? Como deve ser sua preparação?
Fernandes - Ele pode continuar se preparando para o Enem. A aposta que estamos fazendo, é que a nova prova estará entre o Enem e os vestibulares. Quem está se preparando para o Enem e para os vestibulares não terá problemas.
UOL Educação - As escolas já devem modificar seu ensino?
Fernandes - Até o momento, só fizemos uma proposta. Temos de discutir várias coisas, mas esperamos que o projeto caminhe muito rápido. Com o tempo, as escolas vão se adaptar, porque o exame pretende sinalizar a estruturação do ensino médio.
UOL Educação - Além das universidades federais, outras instituições poderão adotar o modelo?
Fernandes - A adesão é aberta e as universidades são totalmente bem-vindas. O ingresso é aberto para todas as escolas: federais, particulares e estaduais.
UOL Educação - E os custos da aplicação do exame devem crescer?
Fernandes - Serão dois dias de provas e o custo do Inep deve crescer. Mas o custo do vestibular no Brasil vai cair, porque não serão mais replicados os exames. O MEC assume um custo maior e o país reduz seu custo. É mais eficiente.
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