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06/05/2009 - 10h07

Não há perspectiva de substituir primeira fase da Fuvest por novo Enem, diz pró-reitora da USP

Karina Yamamoto
Editora do UOL Educação
A Fuvest, que seleciona os futuros alunos da USP (Universidade de São Paulo), anunciou mudanças no seu vestibular em meados de abril, semanas depois da divulgação do novo Enem pelo MEC (Ministério da Educação). No entanto, nos próximos dois ou três anos, a USP deve manter a utilização do Enem na composição da nota e não como substituto para a primeira fase.

"Não há, a curto prazo, perspectiva de o [novo] Enem substituir a primeira fase da Fuvest" - é o que afirma a pró-reitora de graduação, Selma Garrido Pimenta, que está no quarto ano de seu mandato.

De fala mansa e sempre firme, a professora da Faculdade de Educação esmiuçou como serão as alterações na prova e explicou por que a Fuvest resolveu mudar. E ela esclarece: "O vestibular não ficou mais fácil. O nível de dificuldade é o mesmo. Ou seja, é alto".

Por enquanto, a evolução do exame está voltada para definir outro perfil de aluno para a USP - alguém menos especializado. Mas a pró-reitora já sinaliza uma modificação, daqui dois ou três anos, nos programas e conteúdos.

Acompanhe abaixo trechos da entrevista exclusiva ao UOL Educação:

Rogério Casimiro/UOL
A professora Selma Garrido Pimenta é pró-reitora de graduação da USP


UOL Educação: Há alguma possibilidade de o novo Enem ser usado como primeira fase da Fuvest?
Selma Garrido Pimenta: Não há, a curto prazo, perspectiva de o Enem substituir a primeira fase do exame da Fuvest. Quero deixar bem claro isso: que a USP não usará nem neste ano, nem no próximo. A USP estará observando o movimento do novo Enem e avaliando.

No Estado de São Paulo, as três universidades estão cogitando - não para este ano nem para o próximo - unificar eventualmente a primeira fase da USP, Unesp e Unicamp.

UOL Educação: Quanto tempo deve durar essa observação? Cinco? Dez anos?
Selma Garrido Pimenta: É uma pergunta para a qual eu não tenho resposta. Nunca tivemos um processo assim.

O que dá para dizer é que estamos na escuta, estamos observando esse movimento. Não é de um ou dois anos - é mais que isso certamente.

UOL Educação: De alguma forma, a nova prova da Fuvest [com mudanças para 2010] vai se aproximar do "velho" Enem?
Selma Garrido Pimenta: Não dá para dizer que estamos nos aproximando do "velho" Enem. Estamos reconfigurando o vestibular com base em alguns princípios.

Acho importante dizer que o Enem continuará sendo valorizado na prova da Fuvest como vinha sendo feito. Conforme o desempenho do aluno, ele [o exame] vai contar como 20% da primeira fase. Além disso, o Enem, no Inclusp [programa de inclusão da USP] continuará sendo utilizado.

UOL Educação: As perguntas dessa nova Fuvest serão mais analíticas? Mais interdisciplinares? Cobrarão mais conteúdo?
Selma Garrido Pimenta: É um erro fazer essa separação no ensino de que uma coisa é a informação e que outra é o raciocínio.

O recado para os estudantes é: continuem estudando bastante o conjunto das disciplinas. Para as escolas: continuem se esforçando para cada vez mais desenvolver seus estudantes na direção de uma formação humana.

O que a USP valoriza cada vez mais é que este vestibular sinalize para o ensino médio fazer o que está nos parâmetros curriculares nacionais, que é trabalhar o conhecimento na formação da capacidade de pensar, de raciocinar.

O que é raciocinar? É ligar conceitos que aparentemente estão desconexos, é entender a lógica que estrutura um determinado conceito, estabelecer relações entre conceitos e conhecimentos. E conhecimento vinculado às demandas que estão postas na sociedade.

Rogério Casimiro/UOL
A professora Selma Garrido Pimenta é pró-reitora de graduação da USP

UOL Educação: Que mudanças na prova a senhora destacaria?
Selma Garrido Pimenta: A primeira fase [com 90 testes de múltipla escolha] estava muito valorizada no processo como um todo. Ela tinha um peso de 50%. Agora, ela terá peso zero na nota final.

Ela [ainda] será uma avaliação geral, sem nenhuma mudança na prova em si; ela terá as 90 questões e o mesmo tempo de duração. Ela será um grande filtro que classifica a partir de um nível de conhecimento bastante geral das disciplinas do ensino médio.

Na segunda fase, é que nós temos a mudança significativa. Primeiro: uma redução no número de dias para a realização das provas. Com isso, buscamos diminuir o estresse que o vestibular USP provoca. Passamos a ter três dias de provas - e não mais cinco como era antes.

Aqui temos a novidade maior: o candidato, que foi selecionado na primeira fase com uma visão geral dos conteúdos, tem de demonstrar, agora, um nível de conhecimento maior para o conjunto das disciplinas do ensino médio.

UOL Educação: Como será esta nova segunda fase da Fuvest?
Selma Garrido Pimenta: O primeiro dia vai ter uma prova de redação e língua portuguesa. No segundo dia de exame, serão 20 questões abordando as disciplinas - biologia, física, química, matemática, história, geografia e inglês- o que significa que cada questão poderá abranger conhecimentos de mais de uma dessas disciplinas.

E temos o terceiro dia: aí sim com disciplinas específicas conforme o curso a que o candidato concorre. Haverá uma ênfase em exatas ou humanas, por exemplo, dependendo da carreira escolhida.

UOL Educação: A escolha das disciplinas específicas é feita pelas unidades ou é pela reitoria?
Selma Garrido Pimenta: O número de disciplinas é escolhido pela pró-reitoria - são duas ou três. As disciplinas a serem avaliadas são escolhidas pelas unidades, de acordo com o perfil desse estudante que ela está buscando.

Importante também é que todas as provas terão o mesmo peso. Diferente do que acontecia anteriormente, em que o peso era, em geral, maior nas questões específicas da especialização.

Um acréscimo é sobre as disciplinas de habilidades específicas - em cursos como música, artes cênicas, artes plásticas e arquitetura. Essas provas permanecem com calendário semelhante, mas pesos diferentes para o resultado final. O peso era muito alto, quase que definindo o candidato antes de ele fazer até a primeira fase. Este [novo] vestibular conforma um perfil mais homogêneo [em termos de formação geral].

Quero destacar que quando falamos desta formação geral, nós não estamos reduzindo a seletividade. Isso é importante ficar claro. Um aprofundamento nas gerais vai continuar sendo necessário.

UOL Educação: Então nós não vamos conseguir dar a notícia que o vestibulando gostaria de receber: que o vestibular ficou mais fácil?
Selma Garrido Pimenta: Exatamente. O vestibular não ficou mais fácil. O nível de dificuldade é o mesmo. Ou seja, é alto. Até por esses números, a Fuvest tem de selecionar 10.500 alunos dentre um contingente de 120 mil.

UOL Educação: Professora, por que a Fuvest mudou? Ela está em busca de uma avaliação melhor ou de um perfil de aluno diferente?
Selma Garrido Pimenta: Nesta mudança em especial, é o perfil que está sendo alterado. Por quê? A própria universidade foi percebendo que os programas e as próprias provas apontavam muito fortemente para uma especialização precoce. Como se o estudante que entrasse na USP já devesse ter um nível de especialização. A especialização vai acontecendo na formação justamente durante o curso de graduação.

UOL Educação: Sendo a Fuvest tão importante, como é ter nas mãos este vestibular?
Selma Garrido Pimenta: É uma grande responsabilidade. Todo o processo é feito com muito cuidado, muito estudo e muita cautela. Essas mudanças que serão implantadas no próximo vestibular, por exemplo, estão sendo estudadas desde antes de eu chegar aqui [há quatro anos].

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