A assessoria de imprensa da USP (Universidade de São Paulo) divulgou, na noite desta segunda-feira (15), um manifesto de diretores de unidades da instituição em defesa da permanência da reitora Suely Villela no cargo.
Veja a íntegra do manifesto de dirigentes de unidades da USPOs diretores de unidades, de acordo com o estatuto da USP, são escolhidos pela reitora a partir de uma lista tríplice, elaborada com o voto de membros da Congregação e dos Conselhos de Departamento de cada escola, faculdade ou instituto.
O manifesto conta com 38 assinaturas. Ficaram de fora, por exemplo, os dirigentes da ECA (Escola de Comunicações e Artes), da FE (Faculdade de Educação) e da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).
Segundo o documento, os diretores de unidades entendem "como de fundamental importância" manifestarem-se "em defesa da universidade, reiterando total apoio à reitora no desempenho de seu papel institucional".
Os dirigentes que assinaram o manifesto dizem no texto que "reafirmam sua firme convicção nos valores democráticos e éticos que devem reger a vida universitária, que incluem o convívio civilizado com o contraditório, o debate profundo de ideias e o inegociável respeito aos direitos humanos e constitucionais, bem como às leis que regem a convivência comum no Estado Democrático de Direito".
Professores exigem saída da reitora
Os professores da USP decidiram, em assembleia nesta segunda-feira (15), permanecer em greve. A paralisação das atividades teve início no dia 5 de junho.
Na reunião da Adusp (Associação dos Docentes da USP), a decisão dos professores foi exigir a saída da PM (Polícia Militar) do campus, a renúncia da reitora Suely Vilela e a reabertura das negociações com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), como condição para o fim do protesto.
Nesta segunda, os reitores da USP, Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) afirmaram que pretendem reabrir negociações com os manifestantes.As reivindicações salariais incluem 6% de reajuste, 10% de reposição por perdas históricas e parcela fixa de R$ 200.
A próxima assembléia ocorrerá na quarta-feira (17), às 16h. Nesta terça-feira (16), às 10h, no Anfiteatro da Geografia, haverá um ato conjunto contra a repressão na universidade, com a presença dos professores Antonio Candido e Marilena Chaui.
Reintegração de Brandão
Nesta segunda-feira (15), a reitoria recebeu também uma liminar para reintegrar o ex-funcionário Claudionor Brandão ao quadro de trabalhadores da instituição.
No entanto, a liminar foi derrubada ainda no fim da tarde. A readmissão de Brandão era uma das outras reivindicações da pauta unificada da greve.
Brandão foi
demitido em dezembro de 2008, após processo administrativo iniciado em 2005. Desde 1987, trabalhava na antiga prefeitura da universidade, reparando e instalando aparelhos de ar condicionado.
Em reportagem da Folha de S.Paulo, o funcionário disse que foi acusado de "ter invadido uma biblioteca, ameaçado as pessoas e colocado em risco o acervo". Na ocasião, entrou na biblioteca da FAU (Faculdade de Arquitetura) com mais 50 funcionários, para levar os servidores do local para um piquete.
Após esse episódio, Brandão foi preso por reincidência: em outubro de 2008, ele havia sido condenado a 20 dias de suspensão por outro processo administrativo de 2006, quando apoiou um protesto de trabalhadores terceirizados e foi acusado de "desvio da função sindical". "A demissão é perseguição política", diz.
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