Atualizada às 16h08Na manhã desta terça (16), a filósofa Marilena Chaui criticou a a entrada da polícia no campus em dois episódios "em apenas uma gestão". Ela se refere ao
confronto entre PMs e manifestantes em 9 de junho e à entrada da PM na Faculdade de Direito, em 2007. A "gestão" é a da reitora Suely Vilela.
Intelectual renomada, Chaui participou - juntamente com outro emérito da USP, Antonio Candido - de um ato organizado pela Adusp, contra a presença e atuação da PM no campus. Ambos são professores da universidade. Mais de 1.000 pessoas estiveram presentes, segundo a assessoria da Adusp (Associação dos Docentes da USP). Os professores pedem também a
saída da reitora.
E você? Concorda com a professora? 
Para ela, a greve faz parte da história da universidade e defendeu mudança da "imagem passada pela mídia de que se está impedindo os estudantes de estudar". Os funcionários da USP estão em
greve desde o dia 5 de maio e os professores, desde 5 de junho.
Antonio Candido
Para Candido, a ação dos policiais dentro da instituição é um "atentado aos direitos mais sagrados que a pessoa tem de discutir, debater e agir sem nenhuma pressão externa". Para ele, "o importante são as redefinições" que podem vir a ocorrer com a movimentação entre professores e estudantes.
Aos 90 anos, ele contou que a USP foi uma "revolução cultural" na época em que ele entrou na instituição, em 1937, pois contribui para a mudança de paradigmas nas ciências sociais, com a introdução de estudos sobre a classe menos favorecida. "Essa mentalidade tem que ser mantida. Não se esqueçam que suas lutas devem aproximar a universidade da realidade social do país", finalizou o professor.
Por quê?
Para Chaui, é preciso mudar a estrutura da universidade, na qual "fóruns e congregações foram esvaziados" e o poder foi centralizado: "nós não temos mais nenhum poder de decisão". "Por que essa resposta [ação da polícia] se tornou a forma natural de reagir? Porque não temos mais fóruns de decisão coletiva, de debate. É preciso recuperar esses espaços", disse.
Outro ponto criticado por Marilena Chaui foi o ensino a distância. A filósofa diz que o novo curso não visa a formação, mas apenas preencher rapidamente as lacunas de falta de formação de boa parte dos docentes.
Estiveram presentes no ato também o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) e o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.
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