UOL EducaçãoUOL Educação
UOL BUSCA

Últimas Notícias

18/06/2009 - 07h47

Alunos criam fóruns paralelos ao movimento estudantil para protestar contra greve na USP

Ana Okada
Em São Paulo
Após ver uma discussão de alunos da USP (Universidade de São Paulo) na rede de relacionamentos Orkut, que pedia a possibilidade de os estudantes votarem pela adesão à greve sem o intermédio de assembleias, Anderson Siqueira, estudante do curso de sistemas de informação, resolveu fazer uma enquete virtual.

"Fiz a primeira versão em alguns minutos e, em duas horas de votação, quase 300 pessoas votaram; hoje, já estamos com mais de 5.000 votos", diz o criador.

  • Seria mais democrático aderir às greves da USP por meio de um sistema virtual? Opine
  • Alunos propõem "greve da greve" na USP
  • Manifestantes da USP, da Unesp e da Unicamp planejam passeata na Paulista

  • Reprodução
    Site da enquete sobre a greve da USP, às 20h desta quarta-feira (17)

    Apenas estudantes da USP podem votar. Para garantir a segurança do processo, é preciso informar, no momento da votação, o nome e o número de cadastro na instituição.

    Segundo Siqueira, o propósito é mostrar que uma votação mais "isenta" pela greve é possível: "Se, em 5 dias, consegui fazer a pesquisa e ter 5.000 votos, por que não seria possível fazer isso de maneira oficial?".

    Para ele, participar das assembleias do DCE (Diretório Central dos Estudantes) para expressar a opinião "não adianta". "Se existem pessoas contra a vontade do DCE, a assembleia é cancelada, e, sinceramente, uma reunião que é marcada para às 8h da noite, em frente à reitoria, não pode ser levada a sério", diz.

    Apesar de a greve não afetar os estudos de Siqueira, em sua opinião, o movimento afeta a faculdade: "Os grevistas usam o nome USP [como se representassem totalmente a universidade], mas, pela votação que está sendo feita, isso não é verdade. Não acho justo a mídia sair divulgando que estamos em greve. A USP não está em greve", afirma.

    A reitoria da universidade afirma que apenas a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), a FE (Faculdade de Educação) e a ECA (Escola de Comunicações e Artes) foram afetadas com a greve.

    Nesta quinta-feira (18), estudantes, funcionários e professores grevistas marcaram um ato na avenida Paulista com passeata até o Largo São Francisco para pedir democracia na universidade.

    Enquete

    Até as 20h desta quarta-feira (17), a enquete recebeu 5.260 votos. Destes, 4.812 foram considerados válidos. Quase 80% dos participantes são contra a greve e cerca de 50% são a favor do posicionamento da USP sobre a PM (Polícia Militar). As unidades que mais tiveram votantes foram a Poli (Escola Politécnica da USP) e a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).

    Dos participantes da Poli, 90% são contra a greve; na FFLCH, 60% dos alunos que opinaram na enquete não apoiam o movimento. Quanto à ação da PM no campus, as duas unidades têm opiniões diferentes: na primeira, cerca de 70% concorda com a ação dos policiais; na segunda, mais de 60% são contrários.

    Plebiscito

    O Grêmio Politécnico (Associação dos Alunos da Escola Politécnica da USP) realizou nesta semana um plebiscito para decidir o posicionamento da faculdade diante dos últimos acontecimentos. Dos cerca de 600 votantes, 81% aprovaram uma moção de repúdio ao "trancaço". A maioria dos estudantes também aprova a presença da PM no campus e metade concordou com a ação da Força Tática no confronto entre estudantes e policiais, ocorrido em 9 de junho.

    Para Caio Gaia, representante do grêmio, o resultado mostra falta de representatividade do DCE. Ele diz que o grêmio não é a favor da ação que a polícia teve no dia 9/6. "Houve exageros de todas as partes. Não deve haver radicalismo nem da polícia nem dos estudantes", afirma. A moção deve ser divulgada até o final da semana.

    Abaixo-assinado

    O estudante Rodrigo Pasqua, da Poli, teve ideia semelhante à dos demais. Após discussão com colegas, propôs a criação do movimento auto-intitulado CDIE (Comissão para Defesa dos Interesses Estudantis da USP), com o objetivo de mostrar "a vontade dos alunos". O grupo criou um abaixo-assinado para estudantes "insatisfeitos com a representatividade do DCE em relação a esta greve e contrários à posição do DCE e à greve".

    O documento foi passado em diversas unidades da universidade e teve cerca de 3.000 assinaturas. Para Pasqua, a adesão ao abaixo-assinado é mais representativa do que as assembleias de estudantes - mesmo que os 3.000 nomes estejam longe de alcançar os 80 mil alunos de graduação e pós-graduação que a universidade tem.

    "Na assembleia da greve devia ter umas 1.500 pessoas... é realmente errado o que eles estão falando [sobre a adesão dos estudantes à greve]", afirma.

    Greve

    Para esta quinta-feira (18), está programada a realização do "Ato público em defesa da universidade livre e democrática" no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na Avenida Paulista. A previsão é que os manifestantes se reúnam a partir das 12h na avenida e que saiam em passeata até o Largo de São Francisco, no centro histórico da capital.

    Estudantes, funcionários e professores da USP (Universidade de São Paulo), da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), bem como centrais sindicais, partidos políticos e outras universidades de todo o país são esperados no evento.
    Leia mais
    Diretores rebatem colegas que apoiam PM na USP
    USP, Unesp e Unicamp devem reabrir negociações a partir de segunda
    Marilena Chaui critica dois episódios da PM na USP "em apenas uma gestão"
    Diretores de unidades da USP divulgam manifesto em defesa da reitora
    Entenda as manifestações na USP e a presença da PM no campus
    Polícia e estudantes entram em confronto no campus da USP
    Veja fotos do confronto entre PM e manifestantes na USP
    Veja imagens da USP no dia seguinte ao confronto com a PM
    Diretores de unidades da USP divulgam manifesto em defesa da reitora
    Para Serra, PM não cometeu excessos durante confronto na USP
    Professores da USP pedem saída da reitora
    Após confronto, reitoria da USP amanhece vigiada pela PM
    Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012
    Lição de Casa Dicionários

    Aulete

    Português

    Houaiss

    Português

    Michaelis


    Tradutor Babylon


    Intercâmbio

    Shopping UOL

    Hospedagem: UOL Host