Protesto de grevistas da USP é encerrado no largo São Francisco
Ana Okada Em São Paulo
Os estudantes, funcionários e professores em greve na USP (Universidade de São Paulo) encerraram às 17h15 desta quinta-feira (18) o protesto que pedia democracia na instituição e a saída da PM (Polícia Militar) do campus.
Estiveram presentes representantes da Unesp (Universidade Estadual Paulista), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). A UNE (União Nacional dos Estudantes) também confirmou presença no ato que saiu da avenida Paulista e foi terminado no Centro da capital.
O ato foi pacífico e não houve confronto com a PM. O único incidente ocorreu durante a caminhada na avenida Paulista, quando os manifestantes foram atingidos por garrafas atiradas dos prédios da via.
"O balanço foi muito positivo, teve bastante gente e foi bem organizado. Amanhã vai haver nova assembleia de professores. Pretendemos abrir negociação com a reitoria na segunda, desde que não haja polícia no campus", afirmou o presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), Otaviano Helene.
O professor afirma que a passeata sensibilizou o público. "Temos de fazer a campanha de divulgar a universidade pública e é isto o que está sendo feito."
"A manifestação foi acima das expectativas. Espero que a gente consiga convencer essa reitora [Suely Vilela] de que ela não tem mais condição de continuar na direção da universidade", avaliou o diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Magno de Carvalho.
Faculdade de Direito fechada
Estiveram presentes o deputado federal Ivan Valente e o deputado estadual Carlos Giannazi, do PSOL. O professor da USP Fábio Konder Comparato também discursou pedindo a saída da reitora Suely Vilela.
"Se o reitor é o representante da comunidade, deve ser eleito por ela. E quando perde a confiança deve ser destituído", disse.
Ele criticou o fechamento da Faculdade de Direito do largo São Francisco nesta quinta. "A universidade pública pertence ao povo, aos mais pobres. A universidade está servindo aos pobres ou aos ricos? A universidade não pode fechar as portas para o povo."
Segundo comunicado oficial, o fechamento da faculdade foi uma "medida preventiva de proteção as pessoas que nela trabalham e circulam bem como o seu patrimônio histórico e imobiliário, mobiliário e bibliográfico". Estudantes que fariam provas, terão as avaliações remarcadas.
Grevistas da USP fazem protesto na avenida Paulista, nesta quinta-feira (18)
A passeata
Os manifestantes partiram do vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo) por volta de 13h40. Todo o trânsito de veículos sentido paraíso chegou a ser interrompido.
Organizadores do evento do Fórum das Seis, entidade que congrega professores e funcionários da USP, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Unicamp (Unicamp Estadual de Campinas), estimam que mais de 3 mil manifestantes compareceram ao evento. A PM calculou que o número de participantes em 1.500.
3.000 flores
Professores da USP levaram 3.000 flores para a avenida Paulista, em protesto que pede a democratização da universidade. As gérberas amarelas, laranjas e vermelhas estão sendo distribuídas para os manifestantes, que se posicionam para iniciar passeata até o Largo de São Francisco.
"Elas representam a rejeição da violência do campus. Representam a paz. Queremos diálogo e não a violência", explica a docente do curso de Letras Roberta Barni e integrante da Adusp (Associação dos Docentes da USP).
Segundo o Major Wanderley Barbosa Filho, da PM (Polícia Militar), cerca de 600 pessoas se concentravam no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), no início da tarde desta quinta-feira (18).
Ao todo, 220 policiais, 13 carros da força tática, 50 motos e sete viaturas de rádio patrulha foram mobilizadas. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfico) também acompanha o protesto com 20 homens.
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