22/06/2009 - 17h45
Reunião de grevistas com reitores da USP, da Unesp e da Unicamp termina sem acordo
Simone Harnik
Em São Paulo
A reunião entre os reitores das três universidades públicas paulistas, realizada na tarde desta segunda-feira (22), terminou sem consenso. O Cruesp (Conselho de reitores das Universidades Estaduais de São Paulo) negou o aumento salarial de funcionários e professores, que era uma das principais reivindicações dos grevistas.
Segundo o presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), Otaviano Helene, a reitoria da USP não apresenta argumentos concretos para negar o aumento de salário: "Não há negociação, o Cruesp impõe".
Em uma planilha apresentada em maio, de acordo com Helene, o pagamento de aposentados foi contabilizado duas vezes. O professor afirma que nesta reunião as planilhas foram alteradas: "Não só houve falta de transparência, como tem bagunça nos números".
Ele questiona também o crescimento dos encargos salariais: "queremos saber porque os encargos salariais cresceram 12%, se o acréscimo em 2008 foi de 6,5%". Em 2008, segundo Helene, o percentual usado para pagamento de pessoal, incluindo aposentados, foi de 76,36%.
Sem readmissão de sindicalista
"A reunião não teve absolutamente nada de novo, não avançou na questão salarial, e também não avançou na readmissão do sindicalista que havia sido demitido", afirmou Magno de Carvalho, diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), sobre a volta de Claudionor Brandão.
De acordo com Carvalho, o único "recuo" da reitoria foi a suspensão do vestibular para os cursos de ensino a distância da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo). Os três reitores das universidades paulistas afirmaram que a implantação da universidade depende de convênio e de dotação orçamentária.
"Não temos nada contra o ensino a distância para quem precisa, como, por exemplo, para quem está na fronteira ou tem dificuldade de locomoção. Só tememos que, aos poucos, o ensino presencial seja substituido por um ensino de terceira categoria, com a destruição da qualidade", concluiu Carvalho.
Para esta terça-feira (23), está prevista uma reunião da pauta específica dos funcionários com a reitora, que deve ocorrer às 15h. O Fórum das Seis (Entidade que engloba representantes de funcionários e professores) ainda deve avaliar na noite desta segunda-feira o respaldo da reunião de hoje com o Cruesp.
Segundo Carvalho, não estão previstos piquetes para esta terça, devido às negociações. No entanto, caso o diálogo não avance, o sindicalista diz que eles podem voltar na quarta-feira (24).
Nova reunião entre os reitores e o Fórum das Seis está prevista para a próxima segunda-feira (29).
Cruesp
Em nota, o Cruesp afirmou que "reitera sua disposição em manter o poder aquisitivo dos salários com o oferecimento do reajuste de 6,05% (índice de inflação medida pelo IPC-FIPE), mesmo em face da queda de 4,88% da arrecadação do ICMS de janeiro a maio, em relação aos
valores previstos para o período."
Segundo a nota, "assim, o Cruesp demonstra novamente seu compromisso de recomposição dos salários, ao mesmo tempo em que garante os recursos mínimos necessários para o funcionamento das Universidades Estaduais Paulistas".
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