Atualizada às 20h33Os professores da USP (Universidade de São Paulo), em greve desde o dia 5 de junho, decidiram suspender a paralisação das atividades em assembleia realizada nesta terça-feira (30).
A Adusp (Associação dos Docentes da USP) enviou comunicado no qual afirma que "quanto às aulas não ministradas, haverá reposição dos conteúdos, com qualidade, conforme a especificidade de cada curso e unidade".
Os docentes aprovaram uma agenda de mobilização para o segundo semestre de 2009, que tem como pontos centrais: a democratização da USP, com reivindicação de eleições diretas para reitor e suspensão de processos contra funcionários e estudantes; a crítica ao projeto de ensino a distância da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo); e a luta contra a reforma da carreira docente aprovada no Conselho Universitário.
Pauta de reinvindicações frustrada
A Adusp, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), mais os sindicatos de professores e funcionários da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) formam o Fórum das Seis.
Essa entidade tinha uma pauta de reivindicações unificada, cujos pontos principais eram o reajuste salarial de 16%, a incorporação de R$ 200 a todos os salários e a readmissão de Claudionor Brandão, ex-servidor, demitido por justa causa - cujo desligamento da USP é analisado pelo Fórum como político.
O movimento de greve não conseguiu avançar nas negociações com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e nenhuma das três pautas foi conquistada.
Os professores também criticaram a instituição do ensino a distância no Estado pela Univesp, projeto do governo José Serra (PSDB), que foi reduzido devido a dificuldades de financiamento e de garantia de qualidade do ensino. Os docentes da USP conseguiram, com a greve, agendar para o segundo semestre um ciclo de debates sobre o programa.
Fim da greve dos funcionários
Os funcionários da USP também decidiram, terça-feira (30), encerrar a greve iniciada no dia 5 de maio. A reunião dos trabalhadores durou mais de cinco horas até a formalização e a assinatura de um termo de fim de greve pela reitora da instituição, Suely Vilela.
De acordo com o diretor de comunicação do Sintusp, Anibal Cavali, fez parte do acordo de retomada das atividades o não-desconto dos dias parados e a não-punição aos integrantes do movimento.
Os trabalhadores do campus da capital devem retomar as atividades na manhã desta quarta-feira (1º). Já os funcionários do interior realizam suas assembleias na quarta e retornam aos seus postos após as reuniões.
A assessoria de imprensa da USP informou que o acordo de fim de greve prevê reposição dos dias parados na forma de trabalho-atividade e, em função disso, não haverá desconto desses dias.
Avanços para os funcionários da USP
A principal conquista dos trabalhadores foi o aumento do auxílio-alimentação de R$320 para R$ 400, retroativos a maio, mês do reajuste. A reitoria também se comprometeu a discutir alterações no plano de carreira dos funcionários, em vez de aplicar um novo modelo sem debate.
Trabalhadores que têm filhos com necessidades especiais também deverão ganhar um auxílio próprio, no valor de R$ 422, durante todo o tempo que atuarem na instituição de ensino.
A reitoria, segundo Cavali, ainda vai modificar a nomenclatura de funcionários de creches para "professores de ensino básico"; e deverá regularizar vagas de funcionários por meio de projeto de lei, a ser votado na Assembleia Legislativa.
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