Os estudantes da USP (Universidade de São Paulo) decidiram, em assembleia realizada na noite desta terça-feira (30), manter a greve iniciada no dia 5 de junho. Nesta terça,
professores e
funcionários da USP votaram pelo fim da paralisação das atividades.
De acordo com o DCE (Diretório Central dos Estudantes), a votação foi acirrada e definida por diferença de apenas três votos. Uma outra assembleia de universitários está marcada para o dia 14.
Até lá, os grevistas devem programar atos, eventos culturais e grupos de discussão. Foi ponderado o fim da greve de professores e funcionários, mas a decisão das duas categorias não sensibilizou os estudantes.
Os estudantes são contrários a implantação da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), projeto de ensino a distância do governo José Serra (PSDB), querem a saída da reitora Suely Vilela e pedem democracia na universidade.
Fim da greve de professores e funcionários
Os professores e os funcionários da USP decidiram suspender a greve nesta terça-feira (30).
A Adusp (Associação dos Docentes da USP) enviou comunicado no qual afirma que "quanto às aulas não ministradas, haverá reposição dos conteúdos, com qualidade, conforme a especificidade de cada curso e unidade".
Os docentes aprovaram uma agenda de mobilização para o segundo semestre de 2009, que tem como pontos centrais: a democratização da USP, com reivindicação de eleições diretas para reitor e suspensão de processos contra funcionários e estudantes; a crítica ao projeto de ensino a distância da Univesp; e a luta contra a reforma da carreira docente aprovada no Conselho Universitário.
Já para os funcionários, de acordo com o diretor de comunicação do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Anibal Cavali, fez parte do acordo de retomada das atividades o não-desconto dos dias parados e a não-punição aos integrantes do movimento.
Os trabalhadores do campus da capital devem retomar as atividades na manhã desta quarta-feira (1º). Já os funcionários do interior realizam suas assembleias na quarta e retornam aos seus postos após as reuniões.
A assessoria de imprensa da USP informou que o acordo de fim de greve com os funcionários prevê reposição dos dias parados na forma de trabalho-atividade e, em função disso, não haverá desconto desses dias.
Pauta de reinvindicações frustrada
A Adusp, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), mais os sindicatos de professores e funcionários da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) formam o Fórum das Seis.
Essa entidade tinha uma pauta de reivindicações unificada, cujos pontos principais eram o reajuste salarial de 16%, a incorporação de R$ 200 a todos os salários e a readmissão de Claudionor Brandão, ex-servidor, demitido por justa causa - cujo desligamento da USP é considerado pelo Fórum como político.
O movimento de greve não conseguiu avançar nas negociações com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) e nenhuma das três pautas foi conquistada.
O ensino a distância no Estado, instituído pela Univesp, criticado pelo Fórum das Seis, foi reduzido devido a dificuldades de financiamento e de garantia de qualidade do ensino. Os docentes e funcionários conseguiram, com a greve, agendar para o segundo semestre um ciclo de debates sobre o programa.
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