24/07/2009 - 10h13
Prorrogação de férias escolares para evitar gripe suína divide opiniões no Rio
Da Agência Brasil
Embora confirmada para os primeiros dias da próxima semana, em Brasília, a reunião entre técnicos dos ministérios da Saúde e da Educação e das secretarias dos estados do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Rio Grande do Sul encontra resistência em pelo menos uma entidade diretamente interessada na volta às aulas dentro do prazo, 3 de agosto.
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Município do Rio de Janeiro, Edgar Flexa Ribeiro, considera a prorrogação das férias uma providência inócua quanto a seu objetivo e prejudicial aos segmentos sociais afetados.
"Se eu tivesse a garantia de que os alunos ficarão confinados em suas casas, até concordaria com a prorrogação", disse o professor. "Mas eles continuarão as férias normais, brincando na praça, fazendo suas atividades coletivas de lazer. Nada garante que se reduza o risco de propagação da gripe. Por isto, vamos reiniciar as aulas no dia 3, como está previsto no calendário escolar".
Flexa Ribeiro destacou a autonomia de cada uma das mais de mil escolas particulares filiadas ao sindicato para reiniciar o ano letivo ou suspender as atividades a qualquer momento, se sentir necessidade. No entanto, lembra que, até o momento, não houve indicação oficial do governo federal sobre essa providência que, como diz, prejudicará pais, professores e alunos, ao interferir no andamento do ano letivo.
Também a Secretaria Municipal de Educação rechaça "categoricamente" o adiamento e mantém o calendário de aulas estabelecido. Em São Paulo, o governo admite o adiamento por uma semana ou 15 dias, e o secretário de Saúde, Luiz Roberto Barradas, recomenda a professores gripados e alunos com sintomas de gripe permanecer longe das escolas.
No âmbito federal, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anfitrião da próxima reunião, defende que "em algumas localidades [estender as férias] não faz o menor sentido, mas em outras pode ser importante". Ele também tem dito que todo ano morrem pessoas contaminadas pela gripe comum e que "era esperado que os óbitos pela gripe A também aumentassem".
Em São Paulo, já ocorreram 12 mortes por gripe suína e, no Rio Grande do Sul, 11. O estado com o terceiro maior número de casos é o Rio, com cinco mortes, todas na capital. No Paraná, uma pessoa morreu.
Luiz Augusto Gollo
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