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05/10/2009 - 09h56

Suspeito atribui vazamento do Enem a 'alguém humilde'

O capoeirista e segurança Felipe Pradella, suposto mentor da fraude no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), atribuiu o vazamento das provas a "alguém humilde e sem influência na empresa" - referia-se à gráfica na qual estavam armazenados os documentos. A informação consta do depoimento à PF (Polícia Federal) do empresário Luciano Rodrigues, dono de uma pizzaria nos Jardins, em São Paulo, que admitiu ter procurado jornalistas para comunicar sobre a violação do sigilo.

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Reprodução da capa da prova de ciências da natureza e de ciências humanas do Enem 2009 que sofreu vazamento
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Segundo ele, Pradella teria feito esse comentário na noite de terça-feira da semana passada. O segurança estava acompanhado do DJ Gregory Camillo de Oliveira Craid. Eles procuraram Rodrigues, que trabalhou quase 15 anos na área comercial da Agência Estado, para pedir a ele que fizesse a ponte com a imprensa.

A PF suspeita que a citação a "alguém humilde" pode ser apenas um blefe do segurança, que se identifica como "Fábio". A PF procura Pradella para interrogá-lo e promover o seu indiciamento pelo vazamento, o que já ocorreu com o dono da pizzaria e com Gregory Craid - ambos foram enquadrados com base nos artigos 325 e 327 do Código de Processo Penal por violação de sigilo funcional.

'Coisa primária'
A PF está convencida, nessa etapa do inquérito, que está diante de um grupo de amadores. "É coisa primária", avalia um investigador. O que reforça essa tese, na avaliação dos federais, é o fato de os envolvidos terem procurado repórteres de vários veículos da mídia para tentar vender a papelada. "Só mesmo um idiota iria querer vender notícia para repórter", observou o policial. Para a PF, o grupo acreditou que poderia levantar "dinheiro fácil". Segundo Gregory, o segurança disse a um jornalista que uma emissora de TV já teria oferecido R$ 500 mil pelas provas. "Ele (Pradella) queria ver se aumentava o valor", contou Gregory.

Luciano Rodrigues, o dono da pizzaria, afirmou à PF que "intermediou o contato de Gregory e Fábio (Pradella) com a imprensa pois pretendia que fatos graves chegassem ao conhecimento da sociedade". Ele disse que "não teve qualquer relação com a obtenção da prova nem pretendia ter qualquer ganho com sua divulgação". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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