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09/10/2009 - 15h26

Fraude do Enem 2009: Não dá para acreditar que roubaram a prova para vender à imprensa, diz Lula

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o roubo das provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pode estar relacionado a interesses de quem "se sente prejudicado" pela avaliação.

"Eu, sinceramente, não posso acreditar que, no momento que está vivendo o Brasil, alguém tivesse a intenção de roubar uma prova do Enem e levar para a imprensa. Porque antigamente se levava para vender nos cursinhos", disse.

O presidente comentou o vazamento do Enem pela primeira vez com jornalistas nesta sexta (9). Lula disse não ser possível afirmar a serviço de quem ocorreu a fraude da prova, mas afirmou que pode ter relação com o roubo alguém que "se sente prejudicado" pelo Enem.

"A gente não pode afirmar a serviço de quem isso aconteceu. Eu não sei quem é que se sente prejudicado pelo Enem. Você podia me ajudar nisso, fazer uma investigação de quem é que se sentia prejudicado com o Enem, porque pode ter a ver com quem roubou a prova", disse Lula.

"Se a pessoa pensou que estava prejudicando o governo, na verdade foi um irresponsável que prejudicou a tentativa de milhões de jovens de entrar na universidade. Retardou, pelo menos, a pretensão desses jovens", afirmou. Para Lula, o vazamento do exame "é daqueles incidentes que ninguém quer".

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    Após a reunião com os ministros de governo na quinta-feira (8), Lula já havia prometido apoio para a nova aplicação do Enem 2009.

    "Ele me disse rigorosamente uma frase: Fernando, em relação ao Enem, qualquer dificuldade em qualquer pasta, você pode mobilizar o Gilberto Carvalho [chefe de gabinete] para fazer chegar a mim qualquer dificuldade que você tenha", afirmou Haddad na saída do encontro.

    O Enem não entrou na pauta do encontro do presidente com o corpo ministerial. O apoio, segundo Haddad, foi dado ao final da reunião. "Estou feliz porque todo o Estado brasileiro está à disposição do Enem", disse o ministro.

    Para que o Enem seja aplicado nos dias 5 e 6 de dezembro, o governo montou uma força-tarefa. O Ministério da Justiça foi acionado e disponibilizou a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança e a Polícia Rodoviária Federal para ajudarem na segurança da prova. Os Correios vão trabalhar na distribuição do material aos locais de exame.

    O Enem, que seria aplicado a mais de 4,1 milhões de estudantes nos dias 3 e 4 de outubro, foi cancelado por conta do vazamento do seu conteúdo. Com o problema, o MEC quebrou o contrato com o consórcio responsável pela prova e contratou, em caráter de emergência, o Cespe e a Fundação Cesgranrio para aplicarem um novo exame.

    Três opções de cursos

    Os candidatos a vagas em instituições públicas que serão selecionados apenas pelo Enem deverão ter três opções de curso, e não mais cinco.

    A secretária de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, espera que a maior parte das vagas seja preenchida já na primeira escolha. Ainda de acordo com ela, o atraso na realização da prova não deverá comprometer o início do ano letivo -o resultado dos exames, segundo ela, sairá até o dia 5 de fevereiro e a matrícula, no final do mês.

    Estão em jogo nesse sistema cerca de 45 mil vagas para universidades e institutos tecnológicos federais, além da Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense) e da escola de formação do IBGE.

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