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Cinema brasileiro (4)

Cinema de retomada

Heidi Strecker*
Especial para Página 3 - Pedagogia & Comunicação
Reprodução

Cartaz de Cidade de Deus

O cinema brasileiro viu despontar nos anos 1990 cineastas capazes de refletir a realidade do Brasil, com suas desigualdades e tragédias sociais, com boas histórias e qualidade técnica. Foi no período em que assistiu, aos poucos, ao retorno do público.

O documentário "Ônibus 174", de José Padilha é um exemplo. Narra o caso real de um jovem que seqüestrou um ônibus cheio de passageiros no centro do Rio de Janeiro.

Para contar essa história, o filme usa imagens dramáticas da TV (que mostrou o seqüestro ao vivo) e paralelamente conta episódios anteriores da vida do seqüestrador, de maneira extremamente hábil.

Depois de um período de estagnação de duas décadas, com problemas de financiamento e apoio, o cinema brasileiro voltou a produzir muitos filmes, vivendo uma fase chamada de "cinema da retomada". Entre 1995 e 1997 foram produzidos mais de cem filmes brasileiros, com qualidade técnica e atraentes para o público.

O filme "Central do Brasil", de Walter Salles Jr., lançado em 1998, obteve grande sucesso de público e de crítica. O filme ganhou o Urso de Ouro no festival de Berlim e foi indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro, tornando-se um marco na história do cinema brasileiro.

O documentário também é um gênero em que o Brasil vem conquistando grande relevância. O cineasta Eduardo Coutinho, em filmes como "Santo Forte", reinventou o relacionamento entre entrevistador e entrevistado, com resultados expressivos.

Cidade de Deus
Uma linguagem inovadora também marcou o filme "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles. O mundo da criminalidade foi retratado com uma linguagem moderna, com ritmo ágil da narrativa e cortes rápidos. Os temas populares também aparecem na obra do estreante Breno Silveira, "Dois filhos de Francisco", que teve grande sucesso de público, ao relatar em forma de melodrama a infância da dupla Zezé diCamargo & Luciano.

A importância de um conjunto coerente e significativo de filmes lançados no Brasil nos últimos anos não deve ser subestimada. No entanto, o cinema brasileiro atual ainda tem grandes desafios a vencer, em meio a inúmeras dificuldades de produção, distribuição e exibição. Que o cinema brasileiro procura avançar, isso é certo. E o público deve contribuir, assistindo aos filmes aqui produzidos.


*Heidi Strecker é filósofa e educadora.

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