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Eckhout e Post

Pintores holandeses vêem Brasil exótico

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Na última viagem que você fez, você tirou fotos? Filmou? Escreveu um diário? Mandou cartão postal? E quem estava com você, achou importante fotografar as mesmas paisagens que você?


Reprodução
Índia Tapuia, Albert Eckhout, 1641, óleo sobre tela

No Brasil colônia do século 17, sem máquina fotográfica, pintores europeus utilizaram sua criatividade para retratar um mundo que, para eles, era exótico, diferente.

Observe o quadro ao lado, que exemplifica este olhar europeu, e responda: o que a índia está fazendo? O que ela traz no cesto? Como está vestida?

Antropofagia

Na imagem podemos ter algumas idéias sobre como os europeus viam o Brasil e os povos que viviam aqui. A antropofagia (consumo de carne humana) se faz presente, de forma assustadora.

É como se para os índios fosse tão comum carregar frutas num cesto quanto partes de corpos humanos a serem comidos. Hoje, entretanto, sabe-se que que a antropofagia não era assim tão corriqueira e, geralmente, fazia parte de rituais. Mesmo assim, era uma idéia assustadora para o colonizador.

A nudez dos índios

Assim como a antropofagia, a nudez era embaraçosa para os europeus. A maior parte dos grupos indígenas do território brasileiro, andavam nus - o que era um problema para o colonizador cristão europeu.

Daí o motivo de a genitália da índia ter sido representada coberta por uma folha, da mesma maneira que eram representados Adão e Eva - uma indicação de que, para os europeus, o novo mundo era o paraíso.

Brasil: século 17

A colônia passava por transformações. A principal fonte de riqueza era a cana-de-açúcar e Portugal estava sob o domínio espanhol.

Nessa época, aconteceu no Brasil a invasão holandesa no Nordeste: 1624 na Bahia e 1630, em Pernambuco. Os holandeses permaneceram por lá 24 anos.

Vieram também muitos pintores da Holanda com a tarefa de retratar a paisagem e o povo brasileiro. Verdadeiros "repórteres" do século 17, pintavam tudo o que viam: pessoas, paisagens, animais e moradias.

Dentre eles, destacam-se Frans Post e Albert Eckhout, que viveram no Brasil entre 1637 e 1644.

  • Frans Post (1612-1680)

    Reprodução
    Carro de bois, Frans Post, 1638, óleo sobre tela

    Descende de uma escola paisagista holandesa, segundo a qual as pinturas são ricas em detalhe e as imagens são retratadas desde uma perspectiva distante.

    Post deixou mais de 100 pinturas retratando a mata, a cidade e os engenhos.

  • Albert Eckhout (1610-1666)

    Reprodução
    Abacaxi, melancias e outras frutas, Albert Eckhout, s.d., óleo sobre tela
    Além de artista, era botânico. Daí sua predileção pela flora e a fauna brasileiras, além de retratar pessoas.

    Diferente de Post, Eckhout procurava desenhar figuras vistas de perto. Sua técnica para pintar naturezas-mortas era inovadora para o século 17.

    Algumas de suas obras foram transformadas em tapeçarias por artesãos da corte de Luís 14 (França).

  • *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em Artes no Instituto de Artes da Unesp. Uma das autoras do livro Arte-educação: experiências, questões e possibilidades, da Editora Expressão e Arte.

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