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Artes

Grupo Santa Helena (1)

O modernismo paulista dos anos 1930

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Por volta de 1935, um grupo de artistas - quase todos descendentes de imigrantes italianos, não pertencentes à aristocracia paulistana, como era o caso de boa parte dos primeiros modernistas - se reuniam em ateliês de um edifício na Praça da Sé, em São Paulo, chamado "Palacete Santa Helena". Ali também existiam numerosos escritórios de profissionais liberais e a sede de uma entidade que representava o sindicato dos operários. Esse prédio foi demolido em 1971, para a construção da estação de metrô da Sé.



Reprodução
Mario Zanini, Igreja de São Vicente, c.1940, óleo s/ tela, 33,3 x 45,8 cm, MAC.


Os artistas do Santa Helena tinham origem humilde e para sobreviver exerciam atividades artesanais e até trabalhos braçais. Eram pintores de parede, açougueiros, ourives, professores e operários.

Autodidatas ou ex-alunos do Liceu de Artes e Ofícios, nos fins de semana ou momentos de folga se dedicavam à pintura. Essas são algumas das particularidades que os diferenciavam da primeira geração de modernistas.

Ateliês de arte
O ambiente criado nas salas de trabalho era de troca. Os artistas compartilhavam conhecimentos técnicos de pintura e faziam sessões de modelo vivo, decidindo sobre a remessa de obras aos salões e organizando as famosas excursões de fim-de-semana aos subúrbios da cidade para fazer pintura ao ar livre.

Nessa mesma época, algumas associações de pintores foram constituídas em São Paulo, como a "Sociedade Pró-Arte Moderna" (Spam) e o "Clube dos Artistas Modernos" (CAM), englobando os participantes da Semana de Arte Moderna de 22.

Esses grupos eram formados por intelectuais e membros da elite paulista, distante do Santa Helena e de outros núcleos proletários, sobre os quais tinham pouco ou nenhum conhecimento.

A união do grupo Santa Helena pode ser explicada como reação ao preconceito contra os imigrantes pobres. Esse preconceito ficou evidente em inúmeras críticas que surgiram ao trabalho do grupo, principalmente quando eles começaram a despertar a atenção e a ameaçar posições já definidas.

A perseverança do grupo, que continuava na luta pela sobrevivência, despertava o interesse e atraía novos amigos e parceiros. Com o tempo, o palacete Santa Helena passou a ser o ponto de encontro de muitos outros artistas.

Em 1937, participaram de uma exposição realizada pela "Família Artística Paulista" - FAP, agremiação co-fundada e dirigida por Paulo Rossi Osir, responsável por elaboração de salões - onde ganharam visibilidade pública e passaram a ser conhecidos pela crítica especializada como Grupo Santa Helena.

Reconhecimento
A partir daí, o Grupo tornou-se conhecido e despertou o interesse de Mário de Andrade, que neles identificou uma "escola paulista", caracterizada por seu modernismo moderado, no limite entre as experimentações formais da vanguarda dos anos 1920 e a arte acadêmica ainda vigente no meio paulistano. Como elemento de unificação entre os expositores, enfatizava a preocupação com o apuro técnico e o interesse pela representação da realidade concreta.

O contato dos santahelenistas com a produção artística européia, ou seja, com as vanguardas, era limitado. Dava-se pela leitura de livros e revistas ou alguma exposição vinda do exterior, com algumas exceções daqueles poucos que haviam estudado na Europa.

Por outro lado, a representação da realidade leva-os a pintar principalmente paisagens, cujos focos são as vistas dos subúrbios e arredores da cidade, as praias visitadas aos fins de semana e a paisagem urbana. Percebe-se a preferência por locais anônimos no limite entre o campo e a cidade.

Valéria Peixoto de Alencar* é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em Artes no Instituto de Artes da Unesp.

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