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Artes

Muralismo

Uma forma de arte pública

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
O termo muralismo, ou pintura mural, foi cunhado a partir das pinturas feitas no início do século 20, no México. Esses trabalhos eram realistas e monumentais.

Contudo, a pintura feita sobre paredes é uma técnica antiga. É uma forma de arte pública, como o grafite, porém, diferentemente deste, tem estreita relação com a arquitetura, podendo explorar o caráter plano de uma parede ou criar o efeito de uma nova área de espaço.

A técnica do afresco (aplicação de pigmentos de cores diferentes, diluídos em água, sobre argamassa ainda úmida) existe desde a Antiguidade. Muitas dessas pinturas ficaram conhecidas quando arqueólogos iniciaram as escavações de Pompéia, cidade destruída pelo vulcão Vesúvio. Também encontramos a mesma técnica na Índia e na China.

No Renascimento, temos importantes artistas que revigoraram a técnica do afresco, como Michelangelo e suas pinturas na Capela Sistina. Conduto, após esse período a técnica entrou em decadência, somente retornando com força no século 20, com as vanguardas européias: fauvistas e cubistas, que faziam murais com características expressionistas e abstratas.

Outro local onde a pintura mural ressurgiu no início do século 20 foi o México, momento também de forte efervescência política e social, marcado pela Revolução Mexicana (1910-20). Os artistas mexicanos viram no muralismo o melhor caminho para expressar suas idéias sobre uma arte nacional popular, engajada no momento revolucionário.

Muralismo mexicano

É durante o movimento revolucionário em oposição à ditadura de Porfírio Díaz que artistas mexicanos retomam a pintura mural, e não à toa, pois eles defendiam que a arte deveria ter alcance social, ou seja, deveria ser acessível ao povo. Daí a opção pelos murais, de caráter decorativo e/ou comemorativo, que ocupam os lugares públicos, rompendo com a pintura de telas e com os meios restritos de circulação das obras de arte, como galerias, museus e coleções particulares.

Para elaborar seus murais, os artistas se inspiraram nas antigas culturas maia e asteca, na arte popular e no folclore mexicano do período colonial - e nas contribuições das vanguardas artísticas européias, sobretudo o expressionismo. Os artistas buscavam romper com a arte acadêmica, criar uma arte original e ao mesmo tempo moderna, autenticamente mexicana.

Reprodução
Diego Rivera. Indústria da cana-de-açúcar, 1930-32.

No afresco Indústria da cana-de-açúcar, por exemplo, vemos elementos da história mexicana, como o trabalho compulsório indígena e o opressor/colonizador espanhol. Fazer murais e afrescos com o compromisso de construir uma narrativa histórica sobre o país era a preocupação dos muralistas.

Diego Rivera (1186-1957) é o pintor mural mexicano mais conhecido. Ele acredita na arte como uma forma de luta contra a opressão, um instrumento revolucionário. Rivera - juntamente com José Orozco e David Siqueiros - criou o movimento muralista mexicano. O trio afirmava: "Pintemos os muros das ruas e as paredes dos edifícios públicos, dos sindicatos, de todos os cantos onde se reúne gente que trabalha".

Reprodução
David Siqueiros. A marcha da humanidade: os soldados de Zapata(detalhe), 1966.

Expor em murais a opressão do colonizador espanhol, da ditadura porfirista e da exploração capitalista norte-americana no México era a forma encontrada pelos muralistas para chamar a atenção do povo para esses problemas. Também pintavam murais, como o ciclo da História do México (Diego Rivera, 1930-32, Palácio Nacional), nos quais o povo mexicano é enaltecido, desde suas origens indígenas até a época revolucionária.

Dica

Para ver mais murais mexicanos, conheça a Revista Encontrarte.
*Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e Mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro Arte-educação: experiências, questões e possibilidades (Editora Expressão e Arte).
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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