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21/01/2009 - 14h28

Era Obama

A reinvenção da América

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Reprodução de vídeo

Barack Hussein Obama, o 44º presidente dos Estados Unidos, faz juramento

Duas guerras e a pior crise econômica desde os anos 30 pesam nos ombros do 44º presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama, 47, o primeiro negro a ocupar o cargo na maior potência econômica e militar do planeta. Além de lidar com questões urgentes, caberá ao novo presidente "reinventar" o país em sua liderança e prestígio, abalados por oito anos de administração Bush.

Obama assumiu a presidência no último dia 20 de janeiro reconhecendo as dificuldades que terá pela frente e pedindo calma diante de tantas expectativas criadas durante a campanha.

"Hoje digo a vocês que os desafios que enfrentamos são reais. Eles são sérios e muitos. Eles não serão enfrentados de maneira fácil ou em um curto período de tempo", afirmou o presidente no discurso de posse.

O maior desafio interno para o governante, hoje, é uma economia em frangalhos, com retração do PIB (Produto Interno Bruto), congelamento do crédito, desemprego e queda do poder de consumo. A crise atual foi provocada pela ganância especulativa no mercado imobiliário e ameaça lançar o mundo em um período de recessão que deve durar, segundo analistas, até 2010.

Por isso, uma das primeiras tarefas do presidente será conseguir aprovação no Congresso para um megapacote de estimulo à economia com investimentos de US$ 825 bilhões. Entre os principais pontos da proposta está a geração de empregos com obras públicas, a redução de impostos e o resgate de instituições financeiras em dificuldades.

Não será a cura definitiva, mas um socorro imediato para manter o paciente vivo pelos próximos dois anos.

Recuperar a economia e a confiança no mercado será a prova de fogo do governo Obama, até porque, sem dinheiro, será difícil cumprir promessas de campanha.

Guerras

Duas palavras resumem a estratégia política do novo presidente: diálogo e mudança. É uma postura diferente da gestão anterior, pautada pela arrogância e ações unilaterais.

Com isso, Obama quer reconquistar a confiança de aliados e negociar com inimigos, principalmente em se tratando de política externa, em que tentará aproximação, por exemplo, com o Irã, que rejeita sistematicamente os apelos internacionais para suspender o programa nuclear.

A seu favor, Obama tem uma popularidade que ultrapassa as fronteiras norte-americanas. Justamente o oposto de seu antecessor no cargo,George Walker Bush, considerado um dos piores presidentes norte-americanos, que encerrou o mandato com um índice recorde de 80% de rejeição.

Depois dos ataques de 11 de Setembro, Bush promoveu uma "guerra ao terror" que lançou o país em duas guerras dispendiosas, no Iraque e no Afeganistão, e sustentou uma política marcada pelo desrespeito aos direitos civis e humanos, em um país historicamente defensor destes direitos.

Obama assumiu o compromisso de retirar as tropas do Iraque, o que não será fácil e nem deve ocorrer nos dois primeiros anos de gestão, e concluir a campanha contra a Al Qaeda e Osama Bin Laden no Afeganistão. São guerras que custam milhões de dólares mensalmente aos cofres públicos, além da vida de soldados americanos.

No primeiro ato como presidente, ele suspendeu por 120 dias os julgamentos de pessoas detidas acusadas de terrorismo na prisão da base militar de Guantánamo, em Cuba, abrindo caminho para o fechamento definitivo do local.

A medida é um marco simbólico da nova administração. A prisão é alvo de denúncias de tortura e ilegalidades contra prisioneiros, a maioria mulçumanos, e representa o expediente truculento da era Bush.

Oriente Médio

Outros assuntos na agenda do novo presidente que devem redefinir a política externa norte-americana se referem aos conflitos no Oriente Médio, em especial a recente guerra de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza.

Palestinos e israelenses decretaram um cessar-fogo provisório e muito precário, que para ser preservado depende da costura de acordos diplomáticos envolvendo outros países árabes.

Os Estados Unidos devem manter o apoio histórico ao governo israelense, mas Obama pretende dialogar com o mundo mulçumano, o que não vinha sendo feito há anos, em negociações de paz.

Já para a América Latina e o Brasil, segundo especialistas, não são esperadas mudanças, principalmente no que diz respeito aos dois principais assuntos que afetam os Estados Unidos: tráfico de drogas e imigração.

Uma das poucas expectativas para a região é a suspensão do embargo comercial a Cuba e a reaproximação entre os dois países, principalmente depois da saída de Fidel Castro do poder.

Futuro

Entre as promessas de governo, destacam-se a retomada de questões ambientais e novos investimentos em energia limpa, assuntos que foram relegados pelo antecessor no cargo, apesar dos Estados Unidos concentrarem o maior pólo de emissão de poluentes do mundo.

Obama também propõe dar mais atenção à educação, ciência e tecnologia, com planos, por exemplo, de expansão da internet em banda larga no país e revisão da posição do Estado quanto às pesquisas com células tronco embrionárias, vetadas durante o governo republicano.

São indícios de que, além das preocupações pontuais, a nova administração planeja uma reconstrução do império norte-americano a longo prazo. Para por em prática, Obama precisará de uma economia estável, apoio político e, é claro, ventos que continuem soprando a favor.

Democracia

Além dos motivos econômicos óbvios que colocam os Estados Unidos no foco de atenção do planeta, o que explicaria a "obamania", que contagia povos que vivem realidades tão específicas, como brasileiros e africanos?

Dois ex-presidentes norte-americanos inspiram hoje a liderança do democrata. O primeiro é Franklin Delano Roosevelt, que governou o país de 1933 a 1945. Ele assumiu a função no ápice da depressão de 29, a pior crise da história do capitalismo moderno, e a enfrentou com o New Deal, o maior pacote de intervenção social da época.

O segundo é Abrahan Lincoln, que governou de 1861 até 1865, quando foi assassinado. Lincoln enfrentou um país dividido pela guerra civil, libertou os escravos e é uma das figuras históricas mais importantes dos Estados Unidos.

O mesmo tom de unidade e parcerias entre democratas e republicanos para reerguer o país reaparece na retórica de Obama.

Por esta razão, apesar da ênfase na mudança - que tem como pano de fundo uma crítica a Bush -, Obama representa, acima de tudo, a continuidade de um ideal de democracia que se originou na Grécia, há mais de 2.500 anos, mas que encontrou nos Estados Unidos sua tradição mais duradoura.

É em respeito a estes ideais e valores que o mundo hoje torce por Obama. Espera-se que sua história, daqui pra frente, justifique as esperanças depositadas em seu mandato.
* José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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