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24/07/2008 - 13h30

Guerra da Bósnia

Prisão de Radovan Karadzic é desdobramento do conflito

Manuela Martinez*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação*
M. Evstafiev/Wikimedia Commons

Radovan Karadzic, quando presidente da Bósnia

*Atualizada às 17h47 de 26/7/2008.

Um dos foragidos mais procurados do mundo, o ex-presidente sérvio da Bósnia Radovan Karadzic (1992/1996), conhecido como o "Carniceiro de Belgrado", foi preso em julho de 2008.

Foragido havia 12 anos, o ex-presidente é acusado de ter ordenado crimes de guerra que incluem o pior massacre da Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial (1939/45), quando 8.000 homens e meninos muçulmanos foram mortos, enquanto milhares de mulheres foram estupradas.

A guerra, que se estendeu de 1992 a 1995, deixou cerca de 250 mil mortos e 1,8 milhão de refugiados. A Guerra da Bósnia começou quando nacionalistas bósnios de etnia sérvia tentaram evitar que a Bósnia-Herzegovina se separasse do que restava da antiga Iugoslávia.

Além do massacre já citado, Karadzic também coordenou um cerco de três anos à cidade de Sarajevo, que provocou 12 mil mortes. Depois da prisão em local que não foi revelado pelas autoridades sérvias, o ex-presidente será extraditado pra o Tribunal das Nações Unidas para a ex-Iugolávia, em Haia.

Tribunal de Nuremberg

A legislação internacional que autorizou a caçada a criminosos de guerra surgiu no Tribunal de Nuremberg, instalado nesta cidade da Alemanha logo após a Segunda Guerra Mundial. Este tribunal julgou principalmente os nazistas. Seu sucessor é o Tribunal de Haia, na Holanda, que já indiciou pelo menos 160 pessoas (56 foram consideradas culpadas) que participaram da Guerra da Bósnia.

Contra Radovan Karadzic pesam 15 acusações, entre elas as de genocídio, seqüestro, atos desumanos, crimes contra a humanidade e deportação. No entanto, Slobodan Milosevic, ex-presidente da Sérvia, considerado o grande comandante das atrocidades cometidas durante a Guerra da Bósnia não chegou a ser condenado pelo tribunal - o presidente morreu dentro de uma cela, antes do encerramento do julgamento.

Além de limpar uma página de sua história, a Sérvia tinha um interesse especial na prisão de Radovan Karadzic. O país sofre uma pressão da União Européia para entregar os suspeitos de cometerem atrocidades durante o conflito - esta era uma das exigências para que a Sérvia passasse a integrar a comunidade, atualmente composta por 27 nações.

Disfarces

Durante 12 anos, Radovan Karadzic viveu tranquilamente, participando de congressos, escrevendo artigos em revistas especializadas e atendendo pacientes em seu consultório - o ex-presidente costumava se apresentar como um psiquiatra. Caso seja condenado em Haia, ele poderá pegar pena máxima, que é a prisão perpétua.

Ao viver disfarçado por muitos anos, Radovan Karadzic repete a história de um dos mais famosos nazistas da história, Adolf Eichmann, um dos braços direitos de Adolf Hitler. Depois da Segunda Guerra Mundial, Eichmann viveu mais de 15 anos na Argentina, disfarçado de funcionário de uma montadora alemã, até ser preso por agentes de Israel.

Condenado por genocídio e crimes contra a humanidade, Eichmann foi enforcado em 1962. Outro fugitivo de guerra famoso morreu no Brasil sem ser julgado. O médico alemão Joseph Mengele morou no Paraguai, Argentina e Brasil, onde morreu em 1979.
*Manuela Martinez é jornalista e publicitária.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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