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03/04/2008 - 11h46

Invasão do Iraque

Guerra está na plataforma eleitoral dos candidatos norte-americanos

Manuela Martinez*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Divulgação/U.S.Army

Pelo menos 4.000 soldados norte-americanos morreram em combates no Iraque

Como não poderia deixar de ser, principalmente em um ano eleitoral, o conflito no Iraque divide as opiniões dos principais candidatos à Casa Branca. O senador Barack Obama, que lidera a corrida pelos Democratas, já manifestou a sua posição contrária ao conflito.

Obama diz que é necessário iniciar gradativamente a retirada das tropas norte-americanas para evitar o "vexame" do Vietnã, quando os Estados Unidos, derrotados por um dos países mais pobres do mundo, perderam 47 mil soldados - outros 313 mil ficaram feridos, segundo o próprio governo norte-americano.

A também senadora Hillary Clinton, que disputa a preferência dos convencionais democratas com Barack Obama, também é contrária à participação dos Estados Unidos na guerra. Em diversos discursos durante a campanha, a senadora afirmou que o seu país não tem condições de vencer o conflito. Por outro lado, o candidato republicano John McCaim, apóia a presença militar no Iraque.

Cinco anos de conflito

O dia 19 de março de 2003 entrou para a história militar dos Estados Unidos. Exatamente às 23h55 (horário de Brasília) começava o bombardeiro contra alvos de Bagdá, a capital do Iraque, para derrubar o governo comandado por Saddan Hussein, um ex-aliado norte-americano.

Cinco anos depois e pelo menos 200 mil iraquianos mortos, a invasão, que está longe de acabar, também quebrou outra marca: é o conflito mais longo envolvendo os Estados Unidos desde a Guerra do Vietnã (1958/75), de triste memória para o país.

Nesses cinco anos, apesar de toda a supremacia militar, os Estados Unidos não conseguiram pacificar o Iraque, muito embora o presidente George W. Bush tenha proclamado a vitória após uma semana de bombardeio. Pelo contrário. Os atentados contra militares norte-americanos e aliados e os confrontos entre milícias xiitas e forças do governo são cada vez mais freqüentes.

Problemas crônicos

Para os Estados Unidos, o saldo político e econômico é devastador. Desde o início da guerra, pelo menos 4.000 soldados norte-americanos morreram em combates no Iraque, a popularidade do presidente Bush despencou e o tesouro dos Estados Unidos já liberou, desde 2003 até o final de marrço de 2008, US$ 526 bilhões somente para os gastos com a guerra, valor superior ao PIB (Produto Interno Bruto) de muitos países.

Depois que Saddan Hussein foi capturado, julgado e enforcado, o presidente Bush deu diversas declarações afirmando que a paz voltaria ao país. O que aconteceu foi justamente o oposto porque a intenção dos Estados Unidos era substituir Saddan Hussein por um administrador que seguisse a cartilha americana. No entanto, sem nenhuma estrutura política e administrativa, o Iraque continua dividido entre três grandes grupos: árabes sunitas, árabes xiitas e curdos (grupo étnico).

Um dos principais argumentos utilizados pelo presidente Bush para invadir o Iraque também não foi comprovado, cinco anos após o início do conflito. Até março de 2008, os agentes dos Estados Unidos não encontraram as armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares) que foram alardeadas por Bush. Qualquer que seja o novo presidente norte-americano, uma importante decisão o aguarda: como resolver o problema do Iraque que, a cada dia, parece mais insolúvel.
*Manuela Martinez é jornalista e publicitária.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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