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30/04/2008 - 10h10

Inflação dos alimentos

ONU diz que crise atinge 100 milhões de pessoas

Manuela Martinez*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Divulgação/Inapar

Trigo: preço do produto subiu 130% no último ano

Assim como o tsunami que provocou a morte de milhares de pessoas na Ásia em dezembro de 2004, uma onda generalizada de aumento de preços e escassez de alimentos atingiu mais intensamente os principais mercados mundiais entre março e abril de 2008.

A crise provocou uma imediata reação de empresários e governos. Alguns países, como o Brasil, a Argentina, a Rússia, o Cazaquistão, a Índia, a Ucrânia, o Vietnã, a Malásia, o Camboja, a Indonésia e o Egito, por exemplo, restringiram as exportações de alimentos.

Para melhor dimensionar o problema, pode-se lembrar que quatro produtos básicos da alimentação dos brasileiros tiveram grandes reajustes entre março de 2007 e março de 2008. O milho subiu 31%; o arroz, 74%; a soja, 87%; e o trigo, 130%, de acordo com um levantamento realizado pelo Bird (Banco Mundial) e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

Nos Estados Unidos, a maior economia do mundo, o Sam´s Club, divisão atacadista da rede Wal-Mart, limitou a venda de diversos tipos de arroz para controlar o desabastecimento _os maiores restaurantes do país estavam estocando o produto temendo o aumento da crise.

Causas da crise

Por que os preços subiram tanto? Os principais economistas e analistas financeiros apontam diversas razões. Em primeiro lugar, a produção de alimentos não acompanhou o crescimento da população. Além disso, milhões de pessoas que deixaram a linha de pobreza na última década, um fenômeno de ascensão social para o qual o mundo, aparentemente, não estava preparado.

Somente na China pelo menos 400 milhões de pessoas, impulsionadas pelo grande crescimento do país mais populoso do mundo, saíram da pobreza nos últimos anos. Em escala menor, no Brasil, o principal programa social do governo federal, o Bolsa Família, aumentou a renda familiar de aproximadamente 45 milhões de pessoas - o equivalente à população da Espanha.

Outra explicação para a inflação alimentar está na própria globalização. As transações comerciais entre os países estão mais dinâmicas e as empresas ampliaram as exportações, reduzindo a oferta interna de produtos.

Até mesmo a alta do petróleo, que o brasileiro costuma sentir mais quando abastece o seus veículos, influencia o índice dos preços. Com o aumento do petróleo, a utilização de máquinas e equipamentos nas lavouras ficou mais cara, o que eleva também o custo da produção de alimentos.

Com o desequilíbrio entra a oferta e a procura, os preços explodiram. Segundo a ONU, pelo menos 100 milhões de pessoas foram atingidas pela escalada de preços em todo o mundo. Temendo o recrudescimento da crise, o Banco Mundial anunciou que vai dobrar os empréstimos para a produção agrícola na África, o mais pobre dos continentes.

Crise Global

A ONU (Organização das Nações Unidas) classificou como "crise global" a alta nos preços dos alimentos, além de considerar que a "inflação" coloca em risco a segurança e o crescimento mundiais. De fato, os aumentos consecutivos nos preços dos alimentos e dos combustíveis provocaram protestos violentos principalmente na Ásia, África e América Central (Haiti).

Para tentar solucionar os efeitos mais perversos da crise - a fome de milhões de pessoas nos países mais pobres - a ONU e o Banco Mundial prometeram criar uma força-tarefa, tentando arrecadar dos países desenvolvidos US$ 2,5 bilhões. Além disso, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, fez um apelo a países que adotaram restrições à exportação de alguns produtos alimentícios, para que abandonem estas medidas.

No Brasil, por exemplo, em abril de 2008, o governo proibiu por tempo indeterminado a exportação de arroz administrado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).O país, por sinal, tem sido freqüentemente criticado no exterior por outro motivo indiretamente relacionado à crise alimentar. Segundo a ONU, a produção em massa de biocombustíveis é a principal causa para a inflação alimentar.
*Manuela Martinez é jornalista e publicitária.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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