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15/10/2009 - 20h00

Prêmio Nobel (2)

Por que Obama ganhou o Nobel da Paz de 2009?

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
US Government

Barack Obama ganhou o prêmio Nobel da Paz no momento em que enfrenta queda de popularidade

Barack Obama demonstrou surpresa ao saber que havia ganhado o Prêmio Nobel da Paz deste ano. Foi uma decisão no mínimo polêmica do Comitê Norueguês, que anunciou o prêmio no dia 9 de outubro de 2009. Afinal, os Estados Unidos estão envolvidos em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão. Além disso, até agora, as estratégias diplomáticas de Obama para resolver conflitos no Oriente Médio e os esforços para impedir a proliferação de armas nucleares não tiveram nenhum efeito prático.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

O anúncio coincide também com um momento crítico para Obama, que deve decidir se envia ou não mais 40 mil soldados para a Guerra do Afeganistão, aumentando para 108 mil o efetivo militar. Pesam sobre a decisão a aprovação de apenas 40% dos americanos e a divisão interna entre republicanos, que defendem a proposta, e democratas, que querem a redução do contingente.

Contexto

Desde 20 de janeiro de 2009 na Casa Branca, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos enfrenta queda de popularidade entre os americanos, por conta não somente das guerras, mas também do plano de reforma da saúde, em discussão no Congresso. Não era assim quando assumiu o cargo. Na época, havia expectativa para que resolvesse a pior crise econômica no país desde o crack na Bolsa de 1929 e recuperasse o prestígio da nação, abalada por oito anos de governo de George Walker Bush.

No término de dois mandatos consecutivos, Bush tinha um índice recorde de 80% de rejeição, por conta de uma das piores administrações da história do país. A "guerra ao terror", promovida após os ataques de 11 de Setembro de 2001, levou o país a invadir o Iraque, implementar internamente uma agenda de violações aos direitos civis e conduzir uma política externa unilateral que, em termos diplomáticos, isolou Washington.

Obama chegou à Presidência com a promessa de acabar com as campanhas militares dispendiosas e retomar o diálogo com Europa e Ásia. É este contexto que devemos levar em conta para compreender a escolha do presidente para o Nobel da Paz. Trata-se de uma aposta numa postura mais aberta e menos arrogante.

Nobel da Paz

O Prêmio Nobel foi idealizado por Alfred Nobel, industrial sueco que inventou a dinamite. O objetivo era reconhecer contribuições de valor à humanidade em cinco áreas distintas: física, química, medicina, literatura e trabalhos pela paz. A premiação ocorre desde 1901 na cidade de Estocolmo - capital da Suécia e sede da Fundação Nobel -, com exceção da entrega do Nobel da Paz, que acontece em Oslo, capital da Noruega.

O Nobel da Paz é concedido a pessoas ou organizações cujas ações promoveram a paz entre as nações e contribuíram para solucionar conflitos. Entre os mais famosos laureados com o prêmio estão Martin Luther King (1964), Madre Teresa de Calcutá (1979), Dalai Lama (1989), Mikhail Gorbachev (1990) e Nelson Mandela (1993).

Além de Obama, outros dois presidentes americanos foram contemplados durante o mandato: Theodore Roosevelt (1901-1909), em 1906, e Woodrow Wilson (1913-1921), em 1919. O ex-presidente Jimmy Carter (1977-1981) ganhou o Nobel em 2002, duas décadas depois de deixar a Casa Branca, por esforços pela paz mundial. O ex-vice-presidente Al Gore foi premiado junto com o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, em 2007, pelo trabalho sobre mudanças climáticas.

A vitória de Obama, no entanto, recebeu críticas tanto da imprensa americana como da europeia. O motivo é que o prêmio teria sido precipitado. Obama foi indicado ao Nobel com apenas um mês no cargo e venceu antes mesmo que cumprisse, parcialmente, suas metas de governo.

Ao receber o prêmio, ele disse: "Estou surpreso e profundamente honrado com a decisão do Comitê do Nobel. Não vejo isso como reconhecimento dos meus feitos, mas como uma afirmação da liderança americana em nome das aspirações dos povos de todas as nações".

E estava certo. Foi uma escolha política do Comitê, uma maneira de os europeus ratificarem sua liderança, popularidade e, mais do que isso, o que Obama representa em relação ao governo anterior, em pelo menos três pontos: política externa, desarmamento nuclear e meio ambiente.

Diplomacia

Primeiro, ele abriu diálogo com países mulçumanos antes vistos como "inimigos" da democracia americana. Em discurso na Universidade do Cairo, capital do Egito, em 4 de junho de 2009, o presidente afirmou que os Estados Unidos "nunca esteve nem estará em guerra contra o Islã", e que os países deveriam unir forças contra o terrorismo.

Obama também se comprometeu com a retomada das negociações de paz no Oriente Médio e reatou laços diplomáticos para resolver a questão dos programas nucleares do Irã e Coreia do Norte, acabar com o embargo a Cuba e suspender os atritos com a Venezuela.

Estas iniciativas inauguraram uma nova política externa dos Estados Unidos, antes pautada pelo unilateralismo, quer dizer, a adoção de decisões sem levar em conta o papel de órgãos mediadores, como a Organização das Nações Unidas (ONU).

Outra medida importante envolveu negociações com a Rússia para cumprir ambiciosas metas do programa de redução de armas nucleares, objetivando tornar o mundo mais seguro. No dia 17 de setembro de 2009, a Casa Branca anunciou a desistência do projeto de escudo antimísseis no Leste Europeu, desenvolvido no governo Bush, que Moscou considerava uma ameaça à segurança. No lugar, propuseram um novo sistema de defesa, em conjunto com Rússia e Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Na área ambiental, o presidente revogou decisões da administração Bush e considerou prioritárias questões climáticas e ambientais, defendendo a geração de energia limpa e fontes renováveis. Em junho, os deputados americanos aprovaram projeto que limita as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Por isso, a presença dos Estados Unidos é considerada vital para a reunião em Copenhague, em dezembro próximo, em que se tentará definir o acordo climático que vai substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012 e do qual o país não é signatário.

Mesmo que a maior parte destas propostas não tenha tido ainda resultados práticos, como justificam os críticos da escolha do Nobel, elas assinalam avanços que foram reconhecidos pela comunidade internacional. Neste sentido, o prêmio é considerado, ao mesmo tempo, como estímulo e reconhecimento pelo que Obama representa para o mundo hoje, e um sinal de que Estados Unidos e Europa estão mais próximos.

A entrega do prêmio ocorrerá no dia 10 de dezembro de 2009, na Câmara de Oslo. Ele consiste num diploma, uma medalha de ouro e 10 milhões de coroas suecas (R$ 2,5 milhões), que Obama diz que irá doar para a caridade.

Direto ao ponto volta ao topo
O Comitê Norueguês anunciou, no dia 9 de outubro de 2009, o presidente americano Barack Obama como ganhador do Prêmio Nobel da Paz. A decisão foi polêmica e muito criticada na Europa e nos Estados Unidos. Para os críticos, tratou-se de uma escolha precipitada, uma vez que Obama completou somente nove meses no cargo, e também porque os EUA estão envolvidos em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão.

Três pontos foram decisivos para a escolha do Comitê:

   Política externa: Obama abriu diálogo com países - inclusive mulçumanos - antes vistos como "inimigos" da democracia americana.
   Desarmamento nuclear: o presidente iniciou nova rodada de negociações com a Rússia para cumprir ambiciosas metas do programa de redução de armas nucleares.
   Meio ambiente: Obama considera prioritárias questões climáticas e ambientais.

Em evidente escolha política, o Comitê do Nobel levou em conta não resultados práticos, mas a nova agenda política dos Estados Unidos, que se contrapõe à do governo George Walker Bush.

Saiba mais

  • Barack Obama: o caminho para a Casa Branca (Publifolha) e Obama: a jornada histórica (Manole): livros reúnem reportagens de jornalistas americanos que contam a trajetória do presidente desde a infância até o anúncio dos resultados das eleições em 2008.
  • Fahrenheit 9/11 (2004): documentário dirigido pelo cineasta Michael Moore sobre o governo Bush e as causas e consequências dos atentados de 11 de Setembro e da invasão do Iraque para os Estados Unidos.
*José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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