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03/09/2009 - 20h00

Ted Kennedy (1932-2009)

O fim de uma dinastia na política americana

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Foto: U.S. Senate - reprodução

Ted Kennedy foi senador, pelo Estado de Massachusetts, por 46 anos ininterruptos

Atualizado em 29/11/2010, às 9h07

Com a morte do senador Edward Moore "Ted" Kennedy, ocorrida em 25 de agosto de 2009, chega ao fim a dinastia Kennedy na política dos Estados Unidos. Por dinastia, entenda-se ele e outros dois irmãos famosos, John e Bob. A história da família mais influente na democracia americana, na segunda metade do século 20, foi pautada por líderes carismáticos, escândalos e tragédias. polêmica envolvendo o acerto de contas com o passado do país continua mais viva do que nunca. (Direto ao ponto: Ficha-resumo)

Caçula de quatro irmãos homens, Ted morreu vítima de câncer cerebral, aos 77 anos, depois de lutar 15 meses contra a doença. Foi o único homem do clã Kennedy a escapar da morte violenta, mas não dos pecados da carne e do poder.

Na juventude, foi um político inexperiente que vivia à sombra dos irmãos famosos - o presidente John Fitzgerald Kennedy, JFK, e o senador Robert Francis "Bobby" Kennedy. Na vida pessoal de Ted, o alcoolismo e a promiscuidade contrastavam com a conduta moral exigida para cargos públicos. Seu envolvimento na morte de uma jovem assessora, no final dos anos 1960, fechou-lhe para sempre as portas da Casa Branca.

Contudo, depois de superar os problemas domésticos, fez uma carreira brilhante no Senado americano. Idealista e defensor dos direitos civis e das causas liberais, terminou a vida como um dos parlamentares mais importantes em meio século de política nos Estados Unidos. Era conhecido como "o leão do Senado".

Atentados

Os Kennedy provinham de abastada família de tradição católica e origem irlandesa da cidade de Boston, capital do Estado de Massachusetts. O pai, Joseph Patrick, foi um rico homem de negócios, político e embaixador em Londres durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Ele teve nove filhos. O mais velho, Joseph Patrick Kennedy Junior, era oficial da Marinha americana e morreu na guerra, em 12 de agosto de 1944, num combate aéreo sobre o Reino Unido. Foi a primeira morte trágica na família. Outros oito integrantes perderiam a vida em atentados, acidentes e doenças graves.

O mais célebre da dinastia foi John Fitzgerald Kennedy, 35º presidente dos Estados Unidos. Ele foi assassinado em Dallas quando desfilava em carro aberto, em 22 de novembro de 1963. JFK é lembrado como um dos mais populares presidentes americanos, mas também foi controverso na vida privada. Chegou a ser acusado de cumplicidade com a máfia e se envolveu em escândalos sexuais, o mais famoso com a atriz Marilyn Monroe (1926-1962).

Menos de dois anos depois da tragédia que comoveu os Estados Unidos, o senador Bobby Kennedy também foi assassinado, em plena campanha presidencial à sucessão de JFK, em junho de 1968. Ambos os assassinatos foram cometidos por indivíduos perturbados, mas não faltaram teorias conspiratórias para tentar explicar o atentado em Dallas (como mostra o filme JFK, indicado abaixo).

Sozinho, Ted Kennedy herdou o legado político dos irmãos assassinados. Ele se elegeu senador pela primeira vez quando John deixou o Senado para assumir a Presidência. Ted tinha então 28 anos de idade, e teve que esperar mais dois para atingir a maioridade exigida para o cargo. A nomeação, em novembro de 1962, foi muito criticada na imprensa, em razão da falta de talento e de experiência do mais jovem Kennedy.

Nas décadas seguintes, ele seria reeleito como senador pelo Estado de Massachusetts num total de nove vezes, por 46 anos ininterruptos. Ao morrer, Ted era o terceiro parlamentar com mais tempo na Casa e o segundo integrante mais velho.

Incidente em Chappaquiddick

Bonitos, ricos, carismáticos e poderosos, os Kennedy eram uma aposta segura dos democratas para a Casa Branca. Com o fim repentino da carreira dos irmãos, era natural que Ted fosse o próximo do clã a disputar as eleições presidenciais. Só que dessa vez seriam os escândalos da família que bloqueariam seu caminho.

As bebedeiras e farras com mulheres o acompanhavam desde o período em que frequentou a Universidade de Harvard, uma das instituições mais respeitadas no país, de onde foi expulso por pagar a um colega para fazer a prova final de espanhol.

A influência do pai reverteu a decisão da universidade, e salvaria de novo o caçula de ter o mesmo destino do irmão militar: quando Ted se alistou na Guerra da Coreia (1950-1953), a família o trouxe de volta do front. Mas o pior estava por vir.

Em 8 de julho de 1969, Ted estava em uma festa na pequena ilha de Chappaquiddick, em seu Estado natal, com um grupo de jovens assessoras que haviam trabalhado, um ano antes, na campanha presidencial de Bobby Kennedy. Ted deixou o local dirigindo seu carro em companhia de Mary Jo Kopechne, uma bonita moça de 28 anos. O senador tinha então 36 anos de idade, era casado e pai de três filhos.

Ao cruzar a ponte sobre um canal, perdeu a direção do veículo e mergulhou nas águas escuras do rio. Ele conseguiu sair do carro, mas a garota morreu sufocada. Além de fugir sem ajudar a vítima, Ted só avisou a polícia dez horas após o acidente, depois de consultar os advogados da família. A manobra o livrou de uma eventual acusação de homicídio culposo - quando não há intenção de matar -, mas não do julgamento da opinião pública e das consequências políticas do ato.

Oito anos mais tarde, tentou disputar com Jimmy Carter as prévias do Partido Democrata para as eleições presidenciais de 1980. O incidente, porém, ainda estava vivo na memória dos eleitores. Foi a última vez que um Kennedy tentou concorrer à Presidência dos Estados Unidos.

Obama

Nos quase trinta anos que se seguiram, Ted Kennedy fez história como um dos democratas mais ativos do Senado americano. Defendeu mais de 15 mil leis, algumas de apelo popular - como a defesa dos direitos de deficientes físicos e contra a discriminação racial - e outras polêmicas, como reformas na lei de imigração e o plano de saúde universal - os americanos não têm nada parecido com o Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro -, que recentemente custou críticas ao presidente Barack Obama. O projeto atualmente tramita no Congresso.

Ted foi um dos primeiros políticos que apoiaram Obama, conferindo importante endosso ao primeiro presidente negro dos Estados Unidos, tão popular e carismático quanto o próprio JFK. Mesmo doente, compareceu à posse em 2008. Sem Ted no Senado, Obama perde um aliado de peso para aprovar o projeto de reforma da saúde.

Por ter escapado à "maldição dos Kennedy" e conseguido se redimir do incidente em Chappaquiddick, tornando-se um dos políticos mais queridos do Parlamento americano, Ted Kennedy foi um exemplo de superação. Ele foi enterrado ao lado dos irmãos no Cemitério Nacional de Arlington, destinado aos heróis americanos.

Em tempo: Ted Kennedy não era de fato o último Kennedy na política norte-americana, mas sim, seu filho Patrick, que, no entanto, não alcançou internacionalmente o destaque dos outros três. Foi deputado por Rhode Island de 1995 e abandonou a política em 2010.

Direto ao ponto volta ao topo
O senador Edward Moore "Ted" Kennedy, falecido em 25 de agosto de 2009, foi um dos mais importantes e influentes parlamentares dos Estados Unidos em quase meio século de atuação no Senado americano.

Ele era o último remanescente da família Kennedy na política. Os dois irmãos mais famosos, o presidente John Fitzgerald Kennedy e o senador Robert Francis "Bobby" Kennedy, foram assassinados nos anos 1960.

Apesar de ter protagonizado alguns escândalos decorrentes de bebedeiras e do envolvimento com mulheres, Ted soube virar a mesa, tornando-se um dos parlamentares mais ativos – e símbolo do Partido Democrata. Defendeu leis em defesa dos direitos civis e da reforma da saúde. Foi também um dos primeiros a apoiar Barack Obama.


Saiba mais

  • A Maldição dos Kennedy - Como o sonho se tornou pesadelo (Ediouro): obra do escritor Edward Klein que tenta explicar a sucessão de tragédias envolvendo uma das famílias mais poderosas dos Estados Unidos.
  • JFK - A pergunta que não quer calar (1991): filme dirigido por Oliver Stone e estrelado por Kevin Costner sobre a existência de uma suposta conspiração para assassinar o presidente John Fitzgerald Kennedy.


Veja Errata
*José Renato Salatiel é jornalista e professor universitário.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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