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04/07/2008 - 08h41

Zimbábue

Aids, desemprego, ditadura e miséria

Manuela Martinez*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
UN-Multimedia

O ditador Mugabe na Assembléia Geral da ONU, em 2007

Num continente em que pelo menos dez países estão entre os piores do mundo em matéria de critérios sociais e econômicos, o Zimbábue é uma síntese da pobreza que caracteriza a África.

O país apresenta renda per capita anual abaixo de US$ 1.000, expectativa de vida inferior aos 50 anos, índice de analfabetismo acima de 40% da população, inflação projetada de 165.000% ao ano e mais de 5% da população com Aids. Em meio a esse cenário de miséria impressionante, os 12,3 milhões de habitantes do Zimbábue ainda convivem com a violência e a instabilidade política.

Desde a independência do país, em 1980, o Zimbábue conheceu apenas um simulacro de regime democrático, o ditador Robert Gabriel Mugabe. Em junho de 2008, em um pleito marcado por denúncias de fraudes, ele foi eleito para mais um mandato. Derrotado no primeiro turno por Morgan Tsvangirai, Mugabe usou a força para vencer as eleições - o seu adversário retirou a candidatura na reta final do segundo turno.

Mutilações

Durante a campanha, o principal adversário da ditadura foi preso diversas vezes, aconteceram cerca de 100 mortes de correligionários ligados a Morgan Tsvangirai e pelo menos 200 mil pessoas deixaram as suas residências para fugir das perseguições. Observadores internacionais também denunciaram que correligionários de Tsvangirai sofreram mutilações nos dedos das mãos para deixar de votar na eleição.

A crise do Zimbábue aumentou após a proclamação do resultado das eleições - de acordo com a comissão nacional eleitoral, Mugabe foi reeleito com 85,51% dos votos válidos. O governo dos Estados Unidos não reconheceu a eleição, solicitou o embargo internacional de armas contra o país e quer aumentar as sanções econômicas ao Zimbábue.

A União Européia também condenou o segundo turno e a maioria dos 27 países que compõem o bloco classificou de ilegítima a vitória de Robert Mugabe. No entanto, o Gabão - outro país africano que tem um presidente no poder há mais tempo que o do Zimbábue - já reconheceu a vitória de Robert Mugabe.

Desemprego recorde

Para driblar o índice recorde de desemprego, que atinge 80% da população economicamente ativa, nos últimos anos, pelo menos 2 milhões de zimbabuanos fugiram para a África do Sul e outros países do continente.

O aumento do desemprego tem uma origem: em 2000, atendendo a um pedido do ditador, o governo expropriou cerca de 3.000 propriedades sem pagar nenhuma indenização aos seus donos, todos brancos. As áreas foram entregues a mais de 1 milhão de sem-terra negros que, por falta de infra-estrutura, abandonaram as plantações.
* Manuela Martinez é jornalista e publicitária.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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