UOL EducaçãoUOL Educação
UOL BUSCA

Banco de redações

Proposta de Julho de 2010

Por que o patriotismo brasileiro só se revela em época de Copa do Mundo?

Em ano de Copa do Mundo, o Brasil inteiro se pinta de verde e amarelo. Durante um mês, o país para suas atividades para torcer pela seleção e cantar o orgulho nacional. Todos os outros assuntos, de saúde a política, perdem a importância diante do futebol. Esse patriotismo temporário gera muita polêmica: alguns acreditam ser um momento de fortalecimento da identidade do povo; outros veem nesse campeonato a causa de um delírio nacional, em que o brasileiro deixa de acompanhar os fatos relevantes para a nação. Mas afinal, o que significa ser patriota? O interesse pela Copa do Mundo pode ser visto realmente como sinal de patriotismo? Qual é a importância desse sentimento para a nação? O que seria necessário para o brasileiro agir com patriotismo em outras situações do cotidiano?

Leia as redações avaliadas

Elabore uma dissertação considerando as ideias a seguir:

Civismo criado por Copa do Mundo é bom para o Brasil?



"[...] A visão pós-materialista mostra hoje uma sociedade baseada em valores como participação, qualidade de vida, desejo de tornar a sociedade menos impessoal e mais humana, interesse em preservar o meio-ambiente, valorização da auto-expressão. É nesse contexto que vejo o futebol da Seleção Brasileira e os jogos da Copa. Viajando pelo mundo, um tema nos torna conectados: futebol. Testemunhamos não só a valorização desse esporte, mas o reconhecimento de nossos jogadores. E ainda o reconhecimento de que nessa modalidade somos campeões. Ser campeão é um desejo que faz parte da natureza humana, todos querem um resultado positivo que o distinga. E erguer a taça ao final da competição é demonstrar a superioridade em uma modalidade que une os povos na luta por um esporte. No nosso caso, abre espaço para pobres e ricos, brancos e negros, sejam da elite ou da favela. E o principal, no âmbito da iniciativa privada, sem a interferência do Estado."

Sueli Baliza Dias (Reitora do UniBH)




Página 3


"[...] Hoje, mesmo sem a ditadura, falar em civismo, patriotismo, nesse mundo transnacional, globalizado, está cada vez mais complicado. Os generais deram baixa, mas quem manda mesmo, de verdade, quem organiza e patrocina o frenesi do jogo, qualquer jogo, é sua majestade o Mercado, e ele não tem bandeira, nem fronteira, sequer um hino. Para o Mercado, o que importa é pegar carona no embalo da Copa e vender essa geleia geral de produtos os mais variados, de carros a vuvuzelas, com a estampa do Mundial da bola. Foram-se os tempos românticos eternizados por Nelson Rodrigues na expressão "a pátria em chuteiras".

A pátria, hoje, calça Nike, Adidas, veste Reebok, Mizuno, assiste aos jogos numa Sony enquanto bebe uma Coca Cola. Até a coreografia da comemoração está sendo ensinada pela Hyundai (aliás, ô propaganda ridícula...).

[...]
Sendo assim, não acredito em nenhum momento cívico criado pela Copa do Mundo. Entusiasmo, sim, pois somos um povo ainda apaixonado pelo futebol. Mas isso não nos faz melhores cidadãos, mais conscientes dos nossos direitos, muito menos dos nossos deveres. O que temos diante de nós é uma bela oportunidade de negócios. Muita grana vai rolar para os bolsos de sempre. Em 2014, o "negócio" vai ser aqui, no Brasil...

Eduardo Machado (Escritor e coordenador do Colégio Imaculada)

["Hoje em Dia", Belo Horizonte (MG), 13 de junho, 2010]



Pra Frente Brasil


Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil
Do meu coração

Todos juntos vamos
Pra frente Brasil
Salve a Seleção

De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo o Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração!

Todos juntos vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a Seleção

[Composição: Miguel Gustavo ]



Eu odeio Copa


"Eu odeio Copa do Mundo". A frase, apesar de muito estranha nestes dias que antecedem a estreia da seleção na África do Sul, resume o sentimento de alguns brasileiros. Para aqueles que não fazem a menor questão de ver o evento, toda a bajulação em torno dele faz com que se torne ainda mais "insuportável".

Os motivos da aversão normalmente são os mesmos. A enxurrada de notícias sobre o tema nos meios de comunicação, o ufanismo e o esquecimento dos problemas fora das quatro linhas são alguns deles. Somando diversas comunidades no Orkut sobre o tema, pelo menos 2.500 internautas fazem parte do grupo que odeia o campeonato de futebol mais importante do planeta.

Um dos anti-Copa é o mestrando em Filosofia da UFPR, Élcio José dos Santos. Para ele, nesta época aparecem os nacionalistas de ocasião. "É um período de visível hipocrisia de grande parte da população. O brasileiro, que comumente não se manifesta em relação à coisa alguma do país em que vive, de repente torna-se um patriota, veste-se de verde e amarelo e infla o peito para dizer que é brasileiro", critica.

[Robson Martins, "Gazeta do Povo", Curitiba (PR), 06 de junho de 2010]



Copa do Mundo altera o comportamento dos brasileiros


A competição tem uma grande influência no comportamento dos brasileiros. Nessa época, a paixão nacional fica em evidência e muda o dia-a-dia da população. Muitos pontos no Rio começam a "vestir" a camisa do Brasil e os hábitos do carioca mudam. Grupos de amigos e familiares, principalmente em bairros pequenos, se juntam para enfeitar as ruas e preparar as cidades para o grande evento do ano.

[...]O consumo muda o ritmo do torcedor brasileiro. As casas de eletrodomésticos começam a vender mais televisores, e as promoções começam a aparecer, mexendo até com o bolso do consumidor e com os lucros das grandes lojas. Carlos Eduardo Guazzi, subgerente da loja Ponto Frio do Shopping da Gávea, confirma o aumento da procura de televisores desde o começo do ano, em função da Copa do Mundo. "Tivemos um acréscimo de 100% nas vendas de LCD de Abril para Maio", revela.

["O Estado RJ", Rio de Janeiro (RJ), 11 de junho de 2010]



Observações:


 

 

 

 

  • Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa;
  •  

     

     

     

     

  • Deve ter uma estrutura dissertativa;
  •  

     

     

     

     

  • Não deve estar redigido em forma de poema (versos) ou narração;
  •  

     

     

     

     

  • A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas;
  •  

     

     

     

     

  • Não deixe de dar um título a sua redação;
  •  

     

     

     

     

  • Envie seu texto até o dia 25 de julho de 2010;
  •  

     

     

     

     

  • Confira as redações avaliadas a partir de 2 de agosto de 2010.

    Elaboração da Proposta


    Sueli de Britto Salles, especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
  •  

    Tendo como base as ideias apresentadas nos textos acima, os inscritos fizeram uma dissertação sobre o tema Por que o patriotismo brasileiro só se revela em época de Copa do Mundo?

    Leia as redações avaliadas
    Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

    Compartilhe:

      Receba notícias

      Shopping UOL

      Hospedagem: UOL Host