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Proposta de dezembro de 2007

A gramática facilita ou dificulta a comunicação?

As regras gramaticais têm como objetivo uniformizar a língua de um povo, padronizá-la, de modo a torná-la comum e acessível a todos os usuários. Em poucas palavras, a gramática deve facilitar a comunicação. No entanto, a imensa dificuldade dos estudantes em aprendê-la sugere que isso talvez não ocorra de fato. O grande número de normas - às vezes sobre detalhes aparentemente insignificantes - não acaba complicando e criando confusão? Que importância tem, por exemplo, a troca de uma única letra na grafia de uma palavra?

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Redação

Aluno:***

Idade:***

Colégio:***

5,0

A gramática perfeita

A língua falada ou escrita é um bem coletivo, um legado social, vivo e dinâmico, através do qual as experiências, os conhecimentos e saberes são transmitidos de geração em geração. No entanto aprender e ensinar uma língua, preservá-la uniforme e transmiti-la às seguintes gerações, requer o uso da gramática, como instrumento normatizador, padronizador e uniformizador tanto da fala como da escrita.

Entretanto, a gramática não pode ser concebida como um manual de censura lingüístico, um amontoado de regras e normas mortas, estáticas, insignificantes e impraticáveis; presa a meros detalhes acadêmicos; impostas por uma minoria intelectualizada, geralmente excludente, pouco interessada em se fazer entender, mas muito preocupada com um esnobismo lingüístico, mesmo que praticado, somente, em discursos lidos e pré-fabricados nas friezas dos gabinetes e academias, muitas vezes, desvinculado do falar livre, espontânea e gostoso da língua. Talvez por isso o escritor mineiro Guimarães Rosa, apesar de poliglota, não se envergonhou de incorporar em seus escritos o falar coloquial, livre e rude do sertanejo, mesmo com seus erros gramaticais, e, foi exatamente isso, que o tornou original, inventivo e universal.

Contudo, existe uma gramática, indispensável, que precisamos ensinar e aprender, pois uniformiza todos os falares, facilita o processo comunicacional,a análise dos discursos,a compreensão dos sujeitos, os significados das falas, e dos textos, suas coerências e coesões. Uma gramática cuja sintaxe promove a autonomia lingüística e, não um conjunto de proibições irrelevantes, do tipo: "congresso ou congreço; Bahia ou Baia; porque, por que ou por quê; quando se deve dizer menos e não, menas" e tantas outras, inumeráveis, insignificâncias gramaticais.

Comentário geral


Demonstrando certa familiaridade com a norma culta, a redação se aproxima de um estilo oratório ao desenvolver os argumentos em favor da gramática, "floreando" o texto e demonstrando erudição.

Aspectos pontuais


1) O acúmulo de adjetivos (ressaltados em vermelho) dá ao texto um caráter retórico e artificial. Observe: "um legado social, vivo e dinâmico"; "instrumento normatizador, padronizador e uniformizador"; "regras e normas mortas, estáticas, insignificantes e impraticáveis"; "falar livre, espontânea e gostoso da língua"; "falar coloquial, livre e rude do sertanejo"; "normas mortas, estáticas, insignificantes e impraticáveis". Em vez de enriquecer o texto, essa profusão de adjetivos enfraquece a expressão. Mais vale empregar um ou dois adjetivos significativos, quando necessários, considerando que a modalidade de texto proposta é a dissertação escrita.

2) No primeiro parágrafo, no trecho ressaltado em vermelho, há uma vírgula separando sujeito e predicado. Observe o período já com a pontuação corrigida: "No entanto aprender e ensinar uma língua, preservá-la uniforme e transmiti-la às seguintes gerações requer o uso da gramática."

3) A última frase do último parágrafo é especialmente confusa. Seria necessário organizar as idéias nela presentes, além de conectá-la ao período anterior, pois o autor continua se referindo a que tipo de gramática ele considera útil: aquela que trata dos pontos essenciais da comunicação e não a que se atém a aspectos de menor importância. Um alerta: é questionável a posição do autor sobre a irrelevância das normas ortográficas. Há, por exemplo, uma grande diferença de significados entre "baía", que é um acidente geográfico, e uma "baia", que é um recinto onde se confinam cavalos.

Competências avaliadas

Competência Nota
1. Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,0
2. Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo. 1,5
3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,0
4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação. 1,0
5. Elaborar a proposta de solução para o problema abordado, mostrando respeito aos valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. 0,5
Total 5,0

Desempenho do aluno em cada competência

Nota 2,0 - Satisfatório Nota 0,5 - Fraco
Nota 1,5 - Bom Nota 0,0 - Insatisfatório
Nota 1,0 - Regular
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Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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