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Biografias

Escritor britânico

Arthur C. Clarke

16/12/1917 - Minehead, Somerset, Reino Unido
19/03/2008 - Colombo, Sri Lanka

*Antônio do Amaral Rocha
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Reprodução

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Arthur Clarke, homenageado pela astronomia e pela paleontologia

Nomeado Comandante da Ordem do Império Britânico, em 1998, aos 81 anos de idade, por relevantes serviços prestados à cultura do seu país, o escritor Arthur C. Clarke, desde menino apreciava ler velhos contos de ficção científica publicados em revistas americanas e tinha fascinação por astronomia. Após o curso secundário feito no Huish's Grammar School, a família de Arthur não tinha posses para matriculá-lo em uma universidade, então ele, desde cedo, começou a trabalhar. Seu primeiro emprego foi de revisor (auditor) de pensões no Departamento de Educação.

Em 1936, transferiu-se para Londres e devido ao seu interesse pelas ciências do espaço associou-se à British Interplanetary Society (Sociedade Interplanetária Britânica) e começou a contribuir com o "BIS Bulletin" e a escrever ficção científica.

Durante a Segunda Guerra Mundial, com 26 anos, entrou na Força Aérea (RAF) e desenvolveu habilidades no trato com a defesa, tornando-se especialista em radares. Essa experiência está relatada no seu romance semi-autobiográfico, Glide Path, publicado em 1963, entre dezenas deles que viriam a seguir. Seu cargo era de Oficial piloto, depois promovido a Oficial de Vôo e deu baixa como Tenente de Vôo.

Após a Segunda Guerra matriculou-se e graduou-se com distinção em Física e Matemática pelo King's College London. Começa nesse período as contribuições de Clarke à ciência, tornando-se presidente da British Interplanetary Society, de 1947-1950, cargo que viria a ocupar novamente em 1953.

O satélite geoestacionário

Essa contribuição para a ciência relaciona-se com o satélite geoestacionário, idéia que apareceu num conto de 1945 e depois defendida no artigo "Can Rocket Stations Give Worldwide Radio Coverage?" (Podem as estações de foguetes proporcionar cobertura de radio ao redor do mundo?): a utilização de mísseis para colocar objetos no espaço. Essas especulações futuristas se tornariam realidade 25 anos depois. O satélite em órbita permanece fixo em relação a um observador na superfície do planeta, colocada numa altitude de 35.786 km, onde a força centrífuga e a força centrípeta do planeta se anulam. Na verdade, o satélite realiza uma volta diária no mesmo sentido e velocidade da Terra, por isso, a idéia de estacionário. Hoje esse conceito é amplamente utilizado em telecomunicações e a órbita geoestacionária é conhecida como órbita Clarke.

No ano de 1956, mudou-se para Sri Lanka e passou também a se interessar pela fotografia e pela exploração submarina.

Escreveu dezenas de romances, contos e artigos científicos de não-ficção. Pode-se dizer que a ficção científica de Clarke influenciou até a própria ciência espacial.

A contribuição ao cinema

Sua obra ficará permanentemente ligada ao cinema devido à adaptação do conto "The Sentinel" que originou 2001: Uma Odisséia no Espaço, dirigido por por Stanley Kubrick, em 1968. Filme que teve a continuação com o título 2010: O Ano em que Faremos Contato, baseado em 2010: Odyssey Two (1982), este dirigido por Peter Hyams (1984). O filme 2001: Uma Odisséia no Espaço ajudou a popularizar a ficção científica, tornando-se um clássico do gênero, tanto quanto popularizar a obra de Arthur C. Clarke.

Diferentemente de outros filmes de ficção científica, em 2001 os conceitos básicos da ciência são respeitados, como a ausência de som no vácuo, o que pode não parecer muita coisa, mas é o maior erro, entre dezenas, da maioria de outros filmes do gênero.

Descreve o encontro de um misterioso monólito negro que emite sinais de uma civilização desconhecida que está chegando até o nosso planeta, desde os primórdios dos tempos. No século XXI, quatro milhões de anos depois, uma equipe de astronautas, na nave Discovery, controlada pelo computador inteligente HAL 9000, é enviada a Júpiter para investigar o monólito. Uma pane faz HAL tentar assumir o controle da nave e ir eliminando um a um os tripulantes. O filme também se destacou pelos efeitos especiais (ganhou o Oscar nesse quesito) e pela sua originalíssima trilha sonora, baseada em Richard Strauss (Assim Falou Zaratrusta), arranjadas e conduzidas pelo músico brasileiro Eumir Deodato.

Clarke escreveu ainda 2061: Uma Odisséia no Espaço III (2061: Odyssey Three, 1988) que não é uma continuação linear de seus livros anteriores 2001 e 2010, mas uma "variação sobre o mesmo tema", com os misteriosos monolitos e o cosmonauta Heywood Floyd, lutando contra o poder do computador Hal, desta vez aliado a uma raça alienígena disposta a ditar os rumos da galáxia.

Lançou ainda A Odisséia Final, em 1997 (3001: The Final Odyssey), onde se relata que a raça humana sobreviveu, apesar dos monolitos que dominam o sistema solar. O corpo do astronauta Frank Poole, morto há mil anos, na odisséia de 2001 é recuperado dos confins da galáxia. Poole retorna à vida consciente e retoma a viagem interrompida pelo computador HAL mil anos antes.

O legado

Arthur C. Clarke ocupa lugar privilegiado entre os escritores que se dedicaram à ficção científica, e é certamente, o mais importante deles todos, tendo o reconhecimento da comunidade científica e astronômica que batizaram com o nome Clarke, o asteróide 4923, e também da paleontologia, que igualmente batizaram de Clarke uma espécie de dinossauro herbívoro, o Serendipaceratops arthurclarkei, encontrado na Austrália.

Desde a década de 1960, Arthur convivia com uma seqüela da poliomelite, resultando numa síndrome pós-pólio, o que o obrigava a passar a maior parte do tempo numa cadeira de rodas.

O governo norte-americano chegou a reconhecer que Clarke "forneceu o impulso intelectual que nos levou à Lua".

Arthur C. Clarke - além de escrever ficção científica trabalhou com a ciência juntamente com cientistas e engenheiros espaciais no desenvolvimento da astronomia - deixa um legado sobre o uso pacífico do espaço.

Em 2008, aos 90 anos de idade, morre em Colombo, Sri Lanka, de complicações respiratórias, dias depois de aprontar seu último trabalho intitulado The Last Theorem, em co-autoria com Frederik Pohl. (AAR)

Fonte: The Arthur C. Clarke Foundation

*Antônio do Amaral Rocha é jornalista, com estudos de pós-graduação em Literatura Brasileira e Cinema. Trabalha como editor, artista gráfico e resenhista, colaborador free-lance de diversas publicações em São Paulo.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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