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Biografias


Aymoré Moreira Esportista Brasileiro

Da Redação<br>Em São Paulo

06/01/2006 20h12

A história do vitorioso futebol brasileiro reserva um capítulo especial para a família Moreira. Foram três irmãos: Aymoré, Zezé (Alfredo Moreira Júnior) e Airton Moreira, todos técnicos e sucesso. Dos três, o mais famoso foi Aymoré Moreira, treinador que comandou a Seleção Brasileira na conquista do bicampeonato mundial de futebol, no Chile, em 1962.

Nascido em 24 de janeiro de 1912 em Miracema, uma pequena cidade localizada no Rio de Janeiro, Aymoré Moreira começou a jogar futebol ainda adolescente, como ponta-direita. Com 16 anos, descobriu que a sua vocação era mesmo ser goleiro, apesar da baixa estatura para a posição -- 1,72 metro.

Em 1932, quando tinha somente 20 anos, Aymoré Moreira já era considerado um dos melhores goleiros do Brasil, sendo convocado para a Seleção Brasileira.

Como goleiro, Aymoré Moreira defendeu o extinto Sport Clube Brasil, o Botafogo-RJ e o Palestra Itália (atual Palmeiras). Depois que se formou em educação física pela Escola Nacional do Rio de Janeiro, começou a trabalhar como técnico, dirigindo as principais equipes do Brasil: São Paulo, Santos, Corinthians, Lusa, Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro, Vitória e Bahia, entre outros times. Também, por mais de dez anos, foi o treinador exclusivo da Seleção Paulista de Futebol (nas décadas de 50 e 60, eram comuns as competições envolvendo seleções estaduais).

Além do título de campeão mundial em 62, sua maior glória como esportista, Aymoré Moreira também participou de um momento histórico do futebol brasileiro: a inauguração do estádio Mário Filho, mais conhecido como Maracanã, em 1950. Aymoré era o técnico da Seleção Paulista que enfrentou e venceu a Seleção Carioca no primeiro jogo realizado no estádio que seria conhecido como o "maior do mundo".

Na Seleção Brasileira, a carreira de Aymoré Moreira começou em 1953, um ano depois de seu irmão Zezé Moreira Ter conquistado para o Brasil o seu primeiro título internacional, o Pan-Americano de 1952.

Em 1961, no auge de sua carreira, Aymoré Moreira voltou a assumir a Seleção Brasileira. Sem Pelé na maioria dos jogos (o atacante estava contundido), Aymoré Moreira conquistou o bi-campeonato mundial, após vencer na final a Tchecoslováquia por 3 a 1. Permaneceu no comando da Seleção Brasileira até 63. Depois do fracasso da seleção na Copa da Inglaterra, em 1966, Aymoré Moreira foi novamente chamado para comandar a reformulação do futebol brasileiro.

Nesta época, convocou pela primeira vez jogadores que seriam destaques na conquista do tricampeonato mundial, como Tostão e Rivellino. Em toda a sua carreira como técnico, Aymoré Moreira dirigiu a Seleção Brasileira em mais de 60 jogos (em uma época em que as partidas não eram realizadas com tanta freqüência) e visitou cerca de 120 países.

No exterior, como técnico, Aymoré Moreira também fez sucesso, dirigindo equipes de Portugal e da Grécia. Em 1986, após ser submetido a uma cirurgia para a implantação de quatro pontes de safena e duas mamárias, Aymoré Moreira abandonou o futebol e passou a escrever artigos para jornais de Salvador. Também trabalhou como comentarista esportivo de rádio. Desde 1979 morando em Salvador, Aymoré Moreira morreu de falência múltipla dos órgãos motivada por parada respiratória e parada cardíaca, no dia 26 de julho de 1998.

Em seus 57 anos de carreira, o treinador foi um privilegiado, ao dirigir três gerações de jogadores brasileiros: Zizinho e Ademir Menezes (década de 50), Pelé, Didi e Garrincha (década de 60) e Tostão, Gérson e Rivellino (década de 70).