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Biografias


Braguinha (Carlos Alberto Ferreira Braga) Cantor e compositor brasileiro

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

15/02/2007 13h05

Nascido no Rio de Janeiro, filho de um casal de classe média, Carlinhos, como era chamado na família, passou a adolescência em Vila Isabel, onde seu pai era diretor da fábrica de tecidos Confiança. No Colégio Batista conheceu o violonista Henrique Brito e dessa amizade nasceu o interesse pela música, fazendo com que, aos 16 anos, ele criasse a letra e a música de Vestidinho Encarnado.

Em 1928, Braguinha formou o grupo "Flor do Tempo", integrado também por Henrique Brito, Alvinho, Noel Rosa e Almirante, que passou a se apresentar em casas de amigos e clubes. No ano seguinte, com o nome de "Bando dos Tangarás", o grupo gravou 19 músicas, sendo 15 de autoria de Braguinha.

Para não usar o nome de família, Braguinha, que nessa época estudava arquitetura, escolheu o pseudônimo de João de Barro.

O "Bando dos Tangarás" - aos quais se juntou Noel Rosa - desfez-se em 1933. No ano seguinte, João de Barro conheceu duas pessoas que marcariam sua carreira: Alberto Ribeiro, seu maior parceiro, e Wallace Downey, um americano que o conduziu à indústria do cinema e dos discos.

Braguinha foi roteirista e assistente de direção em filmes da Cinédia. Com Alberto Ribeiro, escreveu argumentos e composições para a trilha sonora de filmes como "Alô, Alô, Brasil" e "Estudantes" cuja personagem principal foi interpretada por Carmem Miranda. Atuou como diretor artístico da gravadora Columbia, no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que compunha sucessos como o inesquecível "Carinhoso" (1937, com Pixinguinha) e "Sonhos Azuis" (1936, com Alberto Ribeiro).

Em 1938, casou-se com a professora Astréa Rabelo Cantolino. No carnaval daquele ano lançou três marchas que se tornaram clássicos: "Pastorinhas" (com Noel Rosa), "Touradas em Madri" e "Yes, nós temos bananas" (com Alberto Ribeiro).

Ainda em 1938, foi um dos responsáveis pela dublagem brasileira de "Branca de Neve e os Sete Anões", de Walt Disney. Também participou das versões brasileiras de "Pinóquio" (1940), "Dumbo" (1941) e "Bambi" (1942), entre outros.

Em 1939, nasceu Maria Cecília, sua única filha. Apaixonado por histórias infantis, escreveu, adaptou e musicou várias delas, como "Os Três Porquinhos", "Festa no Céu" e "Chapeuzinho Vermelho".

Em 1941, em parceria com Alberto Ribeiro, fez a versão de "Valsa da Despedida", tema do filme "A ponte de Waterloo".

Como autor de versões, Braguinha se destacou em diversas canções com parceiros internacionais, como Charles Chaplin em "Luzes da Ribalta" e "Sorri".

Extinta a Columbia no Brasil, em 1943, nasceu a Continental, também tendo Braguinha na direção artística. Um de seus maiores sucessos internacionais seria composto em 1944: "Copacabana", gravada dois anos depois por Dick Farney.

Na linha carnavalesca, surgiram as composições "Anda Luzia" (1947), "Tem Gato na Tuba" (1948), "A mulata é a Tal" (1948) e "Chiquita Bacana" (1949). Em 1950 Braguinha tornou-se um dos fundadores da Todamérica, gravadora e editora musical.

Em 1979, Gal Costa regravou "Balancê", colocando novamente o compositor em destaque no novo cenário da MPB. Teve dois espetáculos montados em sua homenagem: "O Rio Amanheceu Cantando", na boate Vivará, em 1975, e "Viva Braguinha", na Sala Sidney Miller, em 1983.

Foi homenageado no carnaval em 1984, ano da inauguração do Sambódromo, desfilando como tema da Mangueira, escola campeã daquele ano com o samba enredo "Yes, nós temos Braguinha". O nome deste samba se transformou no título de sua primeira biografia, com texto de Jairo Severiano.

Braguinha faleceu aos 99 anos em 24 de dezembro de 2006.