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Biografias


Fernanda Montenegro Atriz carioca

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

21/08/2005 12h25

Fernanda Montenegro, descendente de portugueses e italianos, filha de uma dona de casa e de um mecânico da Light, nasceu com o nome de Arlette Pinheiro Esteves da Silva. O nome Fernanda foi escolhido por ela, por ter uma sonoridade que remetia aos personagens de Balzac ou Proust. Montenegro veio de um médico homeopata que era amigo da família.

Por volta dos 15 anos, ainda no colégio, Fernanda começou a trabalhar como locutora e atriz de rádio-teatro na Rádio Ministério da Educação e Cultura, onde passou a fazer traduções e adaptações de peças literárias para o formato de radionovelas. Para completar o orçamento, dava aulas de português para estrangeiros na mesma escola de idiomas em que aprendia inglês e francês.

Ao lado da Rádio estava a Faculdade de Direito, onde havia um grupo de teatro amador. Fernanda se uniu a ele e logo foi chamada para uma participação no Teatro Ginástico. A estréia no palco se deu em 1950, na peça "Alegres Canções nas Montanhas", ao lado de Fernando Torres, com quem se casou em 1953. Da união, nasceram a atriz Fernanda Torres e o cenógrafo e diretor Cláudio Torres.

Em 1951, Fernanda Montenegro foi a primeira atriz contratada pela TV Tupi e em pouco tempo, tornou-se conhecida nacionalmente. Fez várias peças ao lado de atores como Sergio Britto, Cacilda Becker, Nathalia Timberg e outros. Estreou no cinema em 1964, na adaptação do diretor Leon Hirszman de "A Falecida", obra de Nelson Rodrigues. Em 1977, participou de "Tudo Bem", de Arnaldo Jabor; e, em 1980, de "Eles Não Usam Black Tie", de Hirszman, quando atuou ao lado de Gianfrancesco Guarnieri.

A produção ganhou o Leão de Ouro, como melhor filme, no Festival de Cinema de Veneza. Mas o teatro continuou sendo sua prioridade. Em 1982, ela ganhou os prêmios Molière especial e de melhor atriz por sua atuação em "As Lágrimas Amargas de Petra von Kant".

Em mais de cinqüenta anos de carreira, a atriz Fernanda Montenegro atuou em quase 100 peças teatrais, onze telenovelas, 200 teleteatros e minisséries e em vários filmes. Atuou na polêmica peça "The Flash and Crash Days", dirigida por Gerald Thomas, e interpretou personagens marcantes nas novelas como a Charlô em "Guerra dos Sexos".

Em 1997, participou do filme "O Que É Isso, Companheiro?", de Bruno Barreto. Como protagonista de "Central do Brasil", do cineasta Walter Salles Jr., Fernanda conquistou o Urso de Prata de melhor atriz no 48º Festival de Cinema de Berlim e foi indicada ao Oscar de melhor atriz e ao Globo de Ouro de 1999.

Fernanda Montenegro foi convidada para ser ministra da Cultura do governo José Sarney e do governo Itamar Franco, mas recusou as duas ofertas. Também não aceitou o convite para ser embaixadora do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).