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Biografias

Giovanni Boccaccio Escritor e poeta italiano

Da Página 3 - Pedagogia & Comunicação

30/07/2005 13h30

Atualizado em 11/04/2013, às 14h01.

Autor do "Decameron", Boccaccio é considerado o criador da prosa italiana. Não se conhecem as circunstâncias de seu nascimento. As biografias mais antigas o consideravam parisiense (a mãe era provavelmente francesa), mas os românticos italianos acreditavam que ele tivesse nascido na Toscana (como o pai).

Aos 23 anos, inspirado no caso amoroso que supostamente tivera com uma jovem nobre, escreveu "Fiammetta", em que já se percebia a capacidade de fazer análises psicológicas, traço presente em quase todas as suas obras.

Admirador de Dante (que tinha origem nobre), Boccaccio pertencia à nova burguesia mercantil que se instalava em Florença. Ainda jovem, acompanhou o pai por vários lugares distantes, inclusive Paris e Nápoles, sedes de duas grandes monarquias. A convivência napolitana lhe permitiu uma visão realista dos homens e a oportunidade de freqüentar ambientes requintados. Lá, conheceu Niccola Acciaiuoli, homem de confiança da corte local, e intelectuais como Cino da Pistoia (amigo de Dante e Petrarca), Paolo da Perugia (bibliotecário régio), Andalò del Negro (astrólogo) e Dionigi da Borgo San Sepolcro (teólogo).

De 1334 a 1335, compôs a "Caccia di Diana" e o "Filostrato". Nos anos seguintes, escreveu o "Filocolo" (em livros, sendo considerado o primeiro grande romance da literatura italiana) e a "Teseida" (poema evocativo das guerras míticas de Teseu). Sua produção em Nápoles seria farta e diversificada, em prosa e verso, abrangendo o gênero lírico, o cortês, o romanesco e o erudito.

De volta a Florença com o pai, incorporou-se na vida cultural da cidade até tornar-se seu protagonista. Entre 1342 e 1346, escreveu a "Commedia Delle Ninfe Fiorentine" (ou "Ninfale d'Ameto"), a "Amorosa Visione", a "Elegia di Madonna Fiammetta" e o "Ninfale fiesolano". Esse conjunto de obras caracterizou-se pela influência local e criou uma nova linguagem narrativa em versos, que influenciaria todo o século 15.

Com a morte do pai, Boccaccio tornou-se o chefe da família aos 25 anos de idade. Graças aos relacionamentos e à reputação intelectual, participou de atividades diplomáticas para Florença. Em 1351, foi nomeado tesoureiro comunal e embaixador junto ao duque Luís da Baviera.

Em 1353, desempenhou uma missão na Romanha; depois, seguiu para Avignon, levando uma embaixada ao papa (na época, o papado estava instalado naquela cidade francesa). Em 1355, viu-se incumbido de fiscalizar os mercadores florentinos e encontrou-se na Toscana com o soberano do Sacro Império. Tentou voltar a Nápoles, sem êxito, e tornou-se embaixador na Lombardia (1359), quando recebeu do papa Inocêncio 6º um cargo eclesiástico.

Alcançado o bem-estar econômico e a fama literária, conheceu Petrarca, que se tornaria seu mestre e amigo. Os dois estabeleceram uma correspondência literária, embora tivessem diferenças: na política florentina, Petrarca era do partido aristocrata (monarquista), e Boccaccio, do democrata (republicano). Foi nesse período que Boccaccio escreveu o "Decameron" (1349-1351), uma coleção de cem histórias irreverentes e satíricas em que retratava os costumes da sociedade de Florença.

Em 1350, iniciou a composição da "Genealogia Deorum" (que não se cansaria de corrigir e completar até a morte). Cinco anos depois, dedicou-se a "De Montibus" (concluído em 1374). E, em 1360, escreveu a primeira versão de "De Casibus" (revista em 1375). Esse conjunto de escritos mostrava, em seu culto à Antiguidade, a nítida influência de Petrarca.

Em dezembro de 1360, a crise política entre democratas e os aristocratas redundou numa conspiração e na prisão ou execução dos democratas, amigos de Boccaccio. Este retirou-se para Certaldo, onde tinha residência. O exílio político coincidiu com a piora das condições econômicas de Boccaccio.

Após uma permanência em Ravena, ele regressou a Nápoles. Mas a acolhida o decepcionou, e Boccaccio partiu para Veneza, a fim de rever Petrarca. Em 1363, voltou para Certaldo.

Em 1365, ainda durante o período de recolhimento, Boccaccio escreveu o "Corbaccio". No mesmo ano, foi mandado a Avignon para negociações com o papa Urbano 5º. Em 1367, depois de uma estada em Veneza, desempenhou nova missão junto a Urbano, agora em Roma. Em 1368, visitou Petrarca em Pádua e, em 1370, fez a última viagem a Nápoles.

Retornou a Certaldo, onde reviu e recopiou o "Decameron", na versão que chegou até nossos dias. Em 1373, após outro afastamento devido às tensões políticas em Florença, foi chamado para comentar publicamente a "Divina Comédia", de Dante. Suas preleções (que depois escreveria) eram um monumento em homenagem ao escritor, e Boccaccio foi elevado a líder da cultura florentina.

Em 1374, doente, redigiu o testamento, no qual doa sua biblioteca ao convento de Santo Spirito. A morte de Petrarca, ocorrida em julho, o deprimiu. Boccaccio morreu em 12 de dezembro de 1375 e foi sepultado em Certaldo.

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