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Biografias


Jacó do Bandolim Músico, compositor e cantor popular

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

20/08/2005 08h51

Jacob Pick Bittencourt, filho único do farmacêutico Francisco Gomes Bittencourt e de Raquel Pick Bittencourt, polonesa, começou a cantar no coro do colégio onde fez o primário. Mais tarde aprendeu a tocar gaita-de-boca e, aos 12 anos, ganhou da mãe um violino, mas, não se adaptando ao instrumento, preferiu o bandolim, presente de uma amiga da família.

Aos 15 anos, apresentou-se na Rádio Guanabara, acompanhado por três amigos e no ano seguinte tocou violão em um programa da Rádio Educadora, e em uma audição de fados, no Clube Ginástico Português. Continuou a se aprimorar no bandolim no seu grupo composto por dois violões, cavaquinho, pandeiro e ritmo, com o qual participou, em 1934, do Grande Concurso dos Novos Artistas, na Rádio Guanabara, recebendo a nota máxima dos jurados.

A partir daí, junto com o conjunto, passou a acompanhar, os cantores da Rádio Guanabara e, como revezasse com o conjunto de Benedito Lacerda, Gente do Morro, seu grupo ficou sendo conhecido como Jacó e sua Gente. Seu trabalho como músico, porém, dependia de outros empregos como vendedor pracista, prático de farmácia e corretor de seguros. Jacob chegou a ser dono de uma farmácia. Em 1940 tornou-se escrevente juramentado da Justiça do Rio de Janeiro, chegando a escrivão titular do juízo da 11ª Vara Criminal, cargo que ocupou até morrer.

Em 1942, integrou o Conjunto da Rádio Ipanema, sob a direção de Mário Silva, ao lado de César Faria, Claudionor Cruz (violões), Leo Cardoso (afoxê) e Candinho (bateria). No mesmo ano com seu bandolim, participou da gravação de Ataulfo Alves de "Ai, que saudades da Amélia" (Ataulfo Alves e Mário Lago), e em 1947 participou da gravação de "Marina" (Dorival Caymmi), feita por Nelson Gonçalves.

O fato de seu nome não sair nos discos de que participava não o incomodava. Em 1947 gravou o primeiro disco, pela Continental, com o chorinho "Treme-treme", de sua autoria, e a valsa "Glória" (Bonfiglio de Oliveira). No ano seguinte, lançou o seu segundo disco, acompanhado pelo Regional de César Faria, tocando a valsa de sua autoria "Salões imperiais" e o chorinho de Bonfiglio de Oliveira Flamengo.

O sucesso dos dois discos fez ressurgir o interesse pelo bandolim. Também em 1948, fez outro disco, com o chorinho "Remelexo" e a valsa "Feia", ambos de sua autoria. Em 1949, gravou seu último disco para a Continental, interpretando o seu chorinho "Cabuloso" e a valsa "Flor amorosa" (Calado). Nesse mesmo ano, transferiu-se para a Victor, onde ficou até o fim da vida, gravando os discos "Choros evocativos" (1957), "Valsas e choros evocativos" (1962), "Assanhado" (1966) e "Era de Ouro" (1967). Em 1966 organizou o conjunto Época de Ouro, com o qual gravou "Chorinhos e chorões" e "Vibrações".

Com Elisete Cardoso e Zimbo Trio, realizou em 1968 um espetáculo de sucesso no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, gravado ao vivo e lançado em álbum de dois LPs pelo MIS, do Rio de Janeiro. Morreu de ataque cardíaco pouco depois, deixando dois filhos, também compositores, Sérgio e Helena.