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Biografias

Lavrenti Béria Chefe da polícia secreta na URSS (1929-1953)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

31/07/2005 14h59

"Como surgiu essa raça de lobos em meio do nosso povo? É a nossa raiz? É do nosso sangue?". As questões foram levantadas pelo escritor Soljenítsin, em um de seus livros mais conhecidos, "Arquipélago Gulag", de 1973. É especialmente adequada quando se trata de uma personalidade como a de Béria. Lavrenti Pavlovitch Béria tornou-se um dos homens mais temidos da União Soviética, por ser o líder do seu maior organismo de segurança e espionagem, o NKVD (Comissariado Popular de Assuntos Internos).

Começou a vida profissional como arquiteto, após o término da faculdade. Posteriormente, filiou-se ao PCUS - Partido Comunista da União Soviética - e optou por servir na polícia secreta, a então GPU. Descrito como um homem de aparência sombria, sempre de ternos escuros e chapéu ou quepe, a ele são aplicados constantemente termos como "carrasco", "vilão" e "sanguinário". Todavia, os stalinistas acreditam que ele deu uma grande contribuição à causa marxista-leninista e à sua ideologia.

O primeiro encontro de Béria com Josef Stalin aconteceu durante as férias do líder, em 1931. Um relato popular afirma que Béria salvou Stalin de uma tentativa de assassinato. Outras fontes sugerem que ele próprio encenou o atentado só para poder impedi-lo. O fato é que Stalin, a partir disso, o fez subir rapidamente na hierarquia do partido e na polícia secreta.

Bajulador como todos os integrantes do círculo íntimo de Stalin, Beria pôs-se a organizar um livro exaltando o líder, mas, como homem de limitadas letras, encomendou-o ao historiador E. Bediia. Após a revisão, colocou o seu nome na obra como autor exclusivo e, na época do Grande Terror, de 1936-8, fuzilou o verdadeiro escritor. O livro foi editado em 1935 com uma enorme tiragem, sob o título de "Sobre a História das Organizações Bolcheviques na Transcaucásia", e retratava Stálin como "o Lênin do Cáucaso".

Insatisfeito por ter sido uma figura totalmente obscura nos acontecimentos da Revolução de 1917, Stalin envaideceu-se. Beria passou a transitar à vontade no Kremlin, sabendo que, enquanto existissem conspirações e espiões - reais ou imaginários -, continuaria íntimo do chefe.

Como comandante da então NKVD, Beria tornou-se um verdadeiro chefe do maior Estado policial que já existiu, sendo responsável pela morte de milhares de "inimigos do povo", dentre supostos traidores, espiões, fascistas, czaristas, simpatizantes do fascismo e criminosos comuns. Também mandava prender, deportar, torturar, ou fuzilar pessoas inocentes, decentes, talentosas ou criativas, que representassem ameaça ao regime, por sua liberdade de pensamento.

Em 1939, ano em que se constatou o maior número de presos nos Gulags, registrou-se um número de 459.000 indesejáveis para a sociedade soviética e um número também expressivo de execuções. As famílias ou amigos dos considerados subversivos podiam ser intimidados ou levados junto com os suspeitos, a fim de pressioná-los ao máximo para que se tornassem fiéis ao regime.

Stalin confiou a Beria trabalhos importantes, desde a perseguição aos inimigos e organização dos Gulags, à supervisão do projeto da bomba atômica soviética. Esse projeto foi iniciado na URSS em 1941 e interrompido em razão da Segunda Guerra Mundial. Continuou depois dela, reunindo uma grande quantidade de cientistas sob a coordenação do maior físico-químico da URSS, Igor Kurtchatov. Beria pôde ajudar os cientistas com a força da NKVD, contando com um grande número de espiões russos, técnicos alemães levados para a URSS após a guerra e espiões-cientistas americanos comunistas ou simpatizantes.

Depois da Segunda Guerra e do término do projeto nuclear soviético, Beria ficou encarregado dos novos expurgos, agora contra aqueles que colaboraram com os invasores alemães e promoveram atos de sabotagem e vandalismo. Além disso, foi também responsável pela execução dos prisioneiros militares alemães de altas patentes, bem como pela escravização dos soldados comuns e oficiais alemães nos Gulags, ou campos de trabalhos forçados.

Na versão de Svetlana, filha de Stalin, Béria foi o responsável pela morte do líder, mas muitos documentos atestam que Beria não o matou, predominando a versão do derrame cerebral. Após a morte de Stálin, seu sucessor Nikita Kruschev e o marechal Zukov, comandante do Exército vermelho, temendo o poder de Beria, mandaram prendê-lo e fuzilá-lo.