Topo

Biografias


Mirabeau Político e escritor francês

9 de março de 1749, Bignon-Mirabeau (França)

2 de abril de 1791, Paris (França)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

03/01/2008 11h50

Honoré Gabriel Victor Riqueti, conde de Mirabeau, nasceu em Bignon-Mirabeau, França, a 9 de março de 1749, e morreu em Paris, a 2 de abril de 1791. Foi político, escritor, jornalista e franco-maçom, sendo até hoje símbolo da eloqüência parlamentar na França. Tenente de cavalaria em Saintes, em resposta à severa educação recebida do pai - o famoso economista Victor Riqueti, marquês de Mirabeau, discípulo de François Quesnais e um dos primeiros fisiocratas - passou a levar uma vida desordenada e licenciosa.

Diversas vezes preso, em 1776 fugiu para Amsterdã com a mulher do marquês de Monnier. Descoberto, foi encarcerado por três anos em Vincennes, de onde escreveu à amante as "Cartas a Sofia", publicadas em 1792. Repelido pela família, seguiu para Londres em 1784, mas logo depois foi nomeado pelo rei francês para uma missão secreta na Prússia, o que deu origem à sua obra "História secreta da corte de Berlim", lançada em 1789, e que causou grande escândalo.

Voltando para a França às vésperas da Revolução de 1789, passou a se dedicar à política. Rechaçado pela nobreza, elegeu-se deputado do Terceiro Estado. Na França daquela época havia uma severa estratificação social, e o Terceiro Estado era formado por trabalhadores, camponeses e pela burguesia. Fundou, então, o "Jornal dos Estados Gerais". Extraordinário orador, lançou na sessão de 23 de junho de 1789, quando o rei quis desmembrar a assembléia, a célebre apóstrofe: "Estamos aqui por vontade do povo e daqui só sairemos pela força das baionetas".

Entre a nobreza e a burguesia

No entanto, havia no revolucionário Mirabeau um moderado que temia a violência. De um lado fazia votar uma contribuição patriótica compulsória (em setembro de 1789) e a nacionalização dos bens eclesiásticos; de outro, procurava entrar no ministério para realizar seu ideal político: uma monarquia constitucional limitada pela assembléia legislativa, um modelo nitidamente inspirado na Grã-Bretanha e nos escritos de Montesquieu.

Quando surgiu a oportunidade de se realizar um governo desse tipo, Mirabeau fez o jogo duplo de se manter como líder da Assembléia Nacional e, ao mesmo tempo, atuar como conselheiro secreto do rei Luís 16, de quem teria recebido generosos pagamentos. Suas articulações caíram por terra, no entanto, diante da ação da rainha Maria Antonieta e do setor mais reacionário da nobreza.

Enredado em dívidas e intrigas, jogando ambiguamente entre a assembléia e o rei, Mirabeau se dividiu entre a Revolução e a contra-revolução, entre a nobreza agonizante e a burguesia emergente. Tinha acabado de ser eleito presidente da assembléia (março de 1791), quando morreu. Sua morte debilitou a precária existência da monarquia constitucional francesa, destruída dois meses mais tarde, quando a família real tentou fugir do país.

Mirabeau é, sobretudo, o autor de notáveis peças de oratória, marcadas por uma inigualável capacidade de apaixonar e convencer, entre as quais ressaltam: "Sobre o veto" (1º de dezembro de 1789); "Sobre o direito de paz e guerra" (20 e 22 de maio de 1790); e "Sobre a bandeira tricolor" (21 de outubro de 1790), discursos que, além de valiosos documentos do liberalismo político, são obras-primas da língua francesa. Além dos discursos, também são importantes os livros "Ensaio sobre o despotismo" e "A monarquia prussiana sob Federico, o Grande".
 

Enciclopédia Mirador Internacional