Artes

Dança: Da pré-história ao balé

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Você escuta uma música cadenciada e começa a bater o pé, tentando seguir o ritmo, ou não se segura e cai na dança? Não se preocupe, isto não acontece somente com você. Dançar pode ser inevitável, incontrolável e "desestressante", inclusive para aqueles que afirmam não saber dançar direito, mas que em algum momento da vida já experimentaram arriscar uns passos de dança.

Mas de onde vem a dança?

Não é possível dizer que alguém a inventou, mas é fato que ela está presente desde a pré-história. A expressão corporal é um dos principais elementos no desenvolvimento da linguagem nos seres humanos - e existem pinturas rupestres nas quais podemos ver cenas que lembram pessoas dançando:



Reprodução
Pintura encontrada em Lérida (Espanha). Cerca de 8300 a.C

Segundo estudiosos, essa cena do século 9 a. C., encontrada em Lérida, representaria uma dança ritual da fertilidade. Ritual, culto, cerimônia ou festa: ainda que estas interpretações variem, o fato é que temos registros de dança desde aquela época.

Do desenvolvimento de danças primitivas e tribais, ritualísticas e festivas, chegamos ao século 16 e à dança como uma das três principais artes cênicas, um espetáculo assim como a música e o teatro - uma manifestação artística da cultura ocidental.



Surge o balé

Em 1377, Carlos 5o, da França, apresentou ao imperador alemão Carlos 4º um espetáculo com características cênicas que, mais tarde, foram transformadas em balé, com figurantes, cavalheiros, damas e personagens grotescos. Cada grupo executava sua própria coreografia e, ao final, todos participavam de uma dança geral, o grande balé.

Com o passar do tempo, a dança evoluiu e se refinou, deixou de ser uma apresentação cortesã para transformar-se em espetáculo cênico, em teatro.

A primeira peça musical composta para o gênero foi realizada pelo músico italiano Baltasarini, em 1581, o ballet de circé, que reunia dança, música e poesia sobre um tema da tragédia clássica.

O balé francês evoluiu muito sob o reinado de Luís 14, que atraía os melhores talentos para seus espetáculos, inclusive Molière. Luís 14 também fundou, em 1661, a Academia Real de Dança, que em 1669 se transformou na Academia Real de Música e Dança.

Com essa medida, o balé passou da Corte para o teatro, contudo não havia mulheres bailarinas nos espetáculos, todos os artistas eram homens e interpretavam os papéis femininos usando máscaras e figurinos que, por vezes, atrapalhavam os movimentos. Somente em 1681 o espetáculo "O triunfo do amor" incluiu mulheres como bailarinas no elenco.

Com a morte de Luís 14 o balé profissionalizou-se. A Ópera de Paris se tornou referência mundial da dança no século 18. Bailarinas mulheres passaram a ocupar os primeiros lugares nos espetáculos e contribuíram para o aperfeiçoamento da arte.

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro Arte-educação: experiências, questões e possibilidades (Editora Expressão e Arte).

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