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Goya - Quando a arte é testemunha da história

Valéria Peixoto de Alencar*, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Em 1808, quando as tropas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal, fazendo com que a família real e toda a corte portuguesa fugissem para o Brasil, a Espanha - aliada dos franceses - logo foi traída por eles e não sofreu menos que seu vizinho ibérico.

Iniciava-se assim a chamada Guerra Peninsular, que envolveu Portugal e Espanha (países da Península Ibérica), Grã-Bretanha (aliada a Portugal) e França.

Um artista espanhol, imbuído das características do romantismo, registrou momentos cruéis dessa guerra motivada, dentre outros fatores, pela revolta da população espanhola contra os invasores franceses. Esse artista foi Francisco José de Goya e Lucientes. Observe:





Reprodução
"O 3 de Maio de 1808"


O efeito de luz utilizado na pintura - efeito que, em arte, chamamos de claro-escuro - é obtido pela presença de um único foco de luminosidade, que se concentra na vítima central, de braços abertos, e se espalha para o chão, onde se encontra um cadáver. É a única luz que ilumina a noite, prendendo nossa atenção nesse homem que, talvez num gesto de bravura, abre os braços antes de morrer.

Esse efeito de luz é típico da dramaticidade do romantismo heróico. Um efeito que concede força inigualável a essa obra, que Goya fez em 1814 para homenagear os espanhóis revoltosos, fuzilados em maio de 1808 por ordem do marechal francês Joaquim Murat, cunhado de Napoleão.

Além de pintor, Goya era gravador e fez uma série de 82 gravuras, entre 1810 e 1814, denominada "Os desastres da guerra", nas quais são retratadas cenas de levantes e conflitos da luta dos espanhóis sob o domínio napoleônico. São cenas que o artista testemunhou em cidades como Zaragoza, Aranjuez e Madri e que retratam as conseqüências da guerra: fome, miséria, egoísmo e violência. Veja, por exemplo, a imagem abaixo:





Reprodução
 


É o retrato de uma guerra inglória e fútil, na qual não há heróis, mas somente assassinos e mortos.




Dicas de sites

  • Para ver todas as 82 gravuras da série "Os desastres da guerra", basta acessar o site dedicado a Goya, criado pela Universidade de Zaragoza.
     
  • Para saber mais sobre Goya, você pode acessar o site do Museu de Arte de São Paulo.
  • Valéria Peixoto de Alencar*<BR>Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em Artes no Instituto de Artes da Unesp. É também uma das autoras do livro <i>Arte-educação: experiências, questões e possibilidades</i>, Editora Expressão e Arte.

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