Biologia

Aranhas: A aranha e sua teia podem ser benéficas ao homem

Cristina Faganelli Braun Seixas

Freqüentemente, as aranhas são associadas aos filmes de suspense ou terror, habitando os castelos e as mansões mal-assombradas, nas quais espalham sua teia por toda parte. Entre as que os filmes B nos mostram como mais assustadoras, encontra-se a caranguejeira, devido a seu grande porte, à quantidade de pêlos espalhados pelo corpo e sua aparência agressiva.

No entanto, as cerca de 300 espécies de caranguejeira existentes no Brasil são praticamente inofensivas. O contato com elas causa no máximo irritação na pele, devido à substância urticante que se encontram em seus pêlos. Somente duas espécies de caranguejeiras (Atrax e Hadronyche) são verdadeiramente perigosas para o homem, mas elas se encontram na Oceania.

Existem cerca de 35 mil espécies de aranhas, dentre as quais há as que são peçonhentas ou venenosas, as que fazem teias, as que atacam e as que liberam seus pêlos para se defenderem. A grande maioria delas não causa grandes problemas ao ser humano. Quando muito, uma irritação no local do ataque.

Três espécies de aranhas perigosas

No Brasil temos três espécies de aranhas perigosas: a viúva negra (Latrodectus sp), da família Theridiidae; a aranha armadeira (Phoneutria sp) da família Ctenidae; e a aranha marrom (Loxosceles sp), da família Sicariidae.

A picada da viúva negra tem ação neurotóxica e provoca dor, sudorese, agitação psicomotora, câimbras, dores abdominais, taquicardia e hipertensão arterial. A mordida da armadeira ocasiona dor imediata no local, suor e vômitos. Já o veneno da aranha marrom, embora não provoque efeitos em ratos ou outros animais de laboratório, pode ser mortal para uma criança ou um adulto debilitado.

Colaboração ecológica das aranhas

Mas as aranhas não são apenas nocivas. Por serem carnívoras, alimentam-se, principalmente, de baratas, grilos e outros insetos. Com isso, controlam a população desses seres, impedindo que a sua proliferação prejudique o meio ambiente.

Há alguns anos, as aranhas têm sido amplamente estudadas e o motivo básico dessas pesquisas é a sua teia. O fio da teia de aranha é muito resistente e ao mesmo tempo flexível. Portanto, poderia ser utilizado, por exemplo, para a confecção de coletes a prova de balas e na fabricação de pára-choques, sem falar nas possíveis utilizações farmacêuticas.

A dificuldade é como obter um grande quantidade desse fio para utilizá-lo em larga escala. Recentemente, pesquisadores de uma empresa canadense criaram uma cabra capaz de produzir em seu leite a proteína responsável pela formação da teia de aranha. Isso talvez resolva a falta de matéria-prima para a fabricação dos produtos. Também é possível obter resultados semelhantes por meio do algodão transgênico, bem como do gado leiteiro.

Utilidade da teia de aranha

Outra possibilidade de utilização da teia de aranha é na criação de tendões, ligamentos e membros artificiais, devido à sua elasticidade e resistência, além do fato de que não houve nenhum indício de rejeição.

Com tudo isso, a utilidade das aranhas já é incontestável. Então, devemos ter cuidado na preservação destes animais na natureza. Além do mais, vale a pena lembrar que podemos admirá-los (em alguns casos, de longe). As aranhas são curiosas e belas quanto à formação de seu corpo (cefalotórax e abdome), número de patas, cores, curiosidades, habitat...

Cristina Faganelli Braun Seixas é bióloga e professora no Colégio Núcleo Educacional da Granja Viana.

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