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Fascismo italiano - política externa - Expansionismo e formação do Eixo

Érica Turci

Em termos de política externa, uma das principais propostas defendidas pelo fascismo era o direito da Itália ao seu "espaço vital", ou seja, para Mussolini e seus partidários, o direito de anexar territórios com o intuito de aumentar o crescimento econômico. Não era à toa, portanto, o discurso militarista e nacionalista que acompanhava o Partido Nacional Fascista (PFN) desde os seus primórdios.

Uma das primeiras atitudes expansionistas do Estado italiano foi incentivar a fundação de Fascios em países onde imigrantes italianos tinham se instalado, inclusive no Brasil, propagando o ideal do partido pelo mundo. Além disso, o serviço secreto italiano auxiliava grupos simpáticos ao fascismo em várias partes da Europa.

Em 1919, tropas italianas ocuparam o porto de Fiume, na Dalmácia, por um ano; em 1923, tomaram a ilha grega de Corfu. Tais atitudes enalteciam o nacionalismo italiano e demonstravam seu descontentamento com os tratados do pós-guerra, que não cederam à Itália as colônias prometidas pela França e pela Inglaterra.

Economia em crise

A economia da Itália entrou em profunda crise a partir de 1930, assim como a de vários outros países, pois a Quebra da Bolsa de Nova Iorque (1929) levou as economias dependentes do capital norte-americano à falência. Nessa situação, Mussolini ampliou sua política expansionista, em parte por acreditar que conseguiria resolver a crise anexando territórios, mas também com o propósito de desviar a atenção da população dos problemas internos.

A Líbia, que era uma colônia italiana, se rebelou durante a Primeira Guerra Mundial, empurrando os italianos para um reduzido espaço na faixa litorânea. Ali, Mussolini concentrou sua força expansionista. O líder da Líbia, Omar al-Mukhtar, foi morto e o exército italiano retomou sua antiga colônia em 1931.

Invasão da Etiópia

Tal agressividade no cenário internacional aumentou ainda mais quando o foco das conquistas fascistas passou a ser a Etiópia (na época, chamada de Abissínia), região africana que não tinha sido ocupada por nenhuma potência europeia desde o século 19 (durante a chamada Partilha da África). A partir da Somália e da Eritréia, colônias da Itália, Mussolini começou a preparar suas tropas e, sem ao menos enviar uma declaração de guerra, invadiu a Etiópia em outubro de 1935.

A Liga das Nações, da qual a Etiópia fazia parte, impôs uma série de sanções econômicas à Itália, como retaliação às atitudes do Duce (título de Mussolini: comandante, condutor supremo). As sanções, contudo, de nada adiantaram, pois os EUA, que se recusaram a fazer parte da Liga, continuaram comercializando com os italianos.

A formação do Eixo

Ao mesmo tempo em que a Inglaterra e a França se distanciavam da Itália, outro país europeu se aproximava: a Alemanha, governada pelos nazistas. Em 1936, Itália, Alemanha e Japão assinaram o Pacto Anticomintern, ou seja, se colocavam lado a lado na luta contra a expansão comunista promovida pela Internacional Comunista (Comintern). Surgia assim o Eixo Roma-Berlim-Tóquio.

A aliança entre fascistas e nazistas se estreitou na Conferência de Munique, em 1938, na qual Mussolini apoiou as intenções alemãs de anexação dos Sudetos (oeste da antiga Tchecoslováquia). No mesmo ano, o governo italiano adotou leis raciais, seguindo o modelo nazista.

Apoio a Franco

Outro episódio marcante desse período foi o apoio fascista ao general Franco, durante a Guerra Civil Espanhola (1936 - 1939). Há algum tempo Mussolini estava armando grupos de extrema direita na Espanha e, durante a guerra civil, enviou entre 40 e 50 mil homens para combater o governo democrático espanhol e ajudar Franco a instalar sua ditadura de modelo fascista.

O Pacto de Aço e a entrada na Segunda Guerra

Em abril de 1939, a Albânia também foi invadida e anexada à Itália. No mês de maio, Hitler e Mussolini assinaram um acordo de auxílio mútuo em caso de guerra, que ficou conhecido como Pacto de Aço. Mas Mussolini não esperava que a Alemanha começasse sua grande ofensiva na Europa naquele mesmo ano (setembro de 1939), pois a Itália não estava preparada para um conflito de grandes proporções. Em suas estimativas, o Duce acreditava poder armar suas tropas somente em 1942.

A entrada da Itália na Segunda Guerra Mundial acabou por aniquilar o domínio que o Duce tinha sobre a população italiana. As sucessivas derrotas sofridas pelas tropas italianas aumentaram as críticas a Mussolini e levaram ao fim de seu poder.

Érica Turci é historiadora e professora de história formada pela USP

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