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Filosofia

Estruturalismo - bases teóricas

O desprezo pela análise histórica

Renato Cancian*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
O estruturalismo é uma teoria que se desenvolveu no âmbito das ciências sociais a partir da década de 1960. A teoria estruturalista é originária da ciência linguística e foi incorporada às ciências sociais primeiramente por influência dos trabalhos de cientistas sociais franceses.

A linguística estrutural não está preocupada com a evolução histórica das variedades de línguas (ou dialetos) existentes, mas com a estrutura da linguagem.

Concebendo a linguagem como um sistema de signos, a linguística estrutural propõe investigar certos elementos básicos que compõem, combinam-se e estão presentes em todas as línguas, sem distinção. O teórico mais proeminente da linguística estrutural foi Ferdinand de Saussure (1857-1913).

No domínio das ciências sociais, o estruturalismo também dispensa a análise histórica (ou análise diacrônica). No transcurso do seu desenvolvimento, o estruturalismo se opôs a todas as formas de historicismo até então prevalecentes nas ciências sociais, principalmente o de origem marxista.

O estruturalismo nas ciências sociais se assenta no pressuposto de que em todas as sociedades (sejam elas arcaicas, tradicionais ou modernas) existe um conjunto de instituições (jurídicas, políticas e propriamente sociais) que formam uma unidade, uma "estrutura", um "todo coerente".

Na perspectiva estrutural, os vários componentes (ou instituições) que estão presentes em determinada sociedade são analisados em relação à totalidade dessa mesma sociedade. Assim, a ocorrência de qualquer mudança ou modificação entre as partes constitutivas do "todo" afetam, consequentemente, o conjunto do sistema social.

Primórdios da análise estrutural

Antes mesmo de o estruturalismo se tornar uma perspectiva de análise relevante e influente nas ciências sociais (em termos acadêmicos), alguns pensadores sociais e políticos já haviam trabalhado com base na abordagem estruturalista, mas sem se preocupar com a sistemática metodológica de suas pesquisas e estudos.

Os exemplos clássicos que podem ser citados são os escritos de Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu (1689-1755). E, entre eles, o principal: sua obra O Espírito das Leis, em que são consideradas em seu conjunto as instituições jurídicas, os regimes políticos e a organização social como um sistema singular que forma uma estrutura social.

De igual modo, Alexis de Tocqueville (1805-1859), em O Antigo Regime e a Revolução e em Democracia na América, trabalha com a perspectiva estrutural nas caracterizações e comparações das sociedades que são objetos centrais de seus estudos.

*Renato Cancian é cientista social, mestre em sociologia política e doutor em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: gênese e atuação política - 1972-1985"

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