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Geografia

Plutão

Corpo celeste não é mais considerado planeta

Antonio Carlos Olivieri*
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
Divulgação/Nasa

Plutão (acima) e Caronte, em foto realizada pelo Hubble

Reunidos em Praga, capital da República Tcheca, em agosto de 2006, astrônomos da União Astronômica Internacional (International Astronomical Union, IAU, em inglês), decidiram excluir Plutão da categoria dos planetas.

Agora, no nosso sistema solar, somente oito corpos celestes enquadram-se agora neste conceito: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Além de Plutão, mais três astros, que se localizam nos limites de nosso sistema planetário, poderiam ter passado à categoria de planeta, mas não chegaram lá: Ceres, Caronte e Xena (nome provisório do corpo UB313).

É importante deixar claro que todas essas mudanças não estão ocorrendo propriamente no espaço, mas na maneira pela qual o homem concebe e explica o espaço. Trata-se de uma revisão dos critérios científicos que possibilitam a denominação astronômica.

Novo conceito

O avanço das observações espaciais levaram os cientistas da IAU a criar um Comitê para a Definição de Planeta. Tradicionalmente, um corpo celeste, sem luz própria, que gira em torno de uma estrela, era considerado um planeta.

Em Praga, chegou-se a um novo conceito, que leva em conta outros elementos. No caso de Plutão, ele é considerado muito pequeno e sua órbita em relação ao Sol sofre influência da órbita de Netuno, além de não ser paralela à dos outros oito planetas do sistema solar.

Os novos critérios da definição de planeta ainda não foram totalemente divulgados, mas espera-se que eles resolvam polêmicas que se arrastam há algum tempo entre os astrônomos. Que polêmicas?

Ceres, Caronte e Plutão

Ceres já foi considerado um planeta e depois foi "rebaixado" à categoria de asteróide. Plutão, descoberto em 1930, era o centro de discussões há décadas. Basicamente, muitos astrônomos o consideravam muito pequeno para ser um planeta, mas esse argumento do tamanho era considerado insuficiente por outros cientistas. Caronte, por sua vez, era tido como um satélite de Plutão - e continuará a sê-lo.

Polêmicas à parte, o estabelecimento des novas definições deve mudar ainda mais o mapa do Sistema Solar, uma vez que cerca de 50 corpos celestes semelhantes a Plutão e Xena não foram enquadrados na categoria de asteróides, mas de um terceiro grupo que talvez venha a se chamar de planetas-anões.

A natureza da ciência

A lição mais importante que você pode extrair do encontro da União Astronômica Internacional, no entanto, não se refere a planetas, mas à natureza do conhecimento.

Em termos científicos, não existe uma verdade absoluta. Como demonstrou o filósofo Karl Popper (1902-1994), a ciência só produz teorias falseáveis ou refutáveis, isto é, que só têm validade enquanto não são refutadas.

Popper estabeleceu os limites da ciência ao criar o conceito de falseabilidade ou refutabilidade e é justamente a validade da concepção do filósofo que os astrônomos demonstram agora ao examinar os limites de nosso Sistema Solar.

*Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.

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