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História Geral

Bálcãs - o período pós-Tito

Da desintegração da Iugoslávia às guerras

Érica Turci*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Quando Josip Broz Tito faleceu, em 1980, os nacionalismos eslavos se reacenderam e a unidade política da Iugoslávia só se manteve por mais uma década.

Desde 1974, uma forma colegiada de governo havia sido implantada: representantes de cada uma das 6 repúblicas e das 2 regiões autônomas ocupariam o cargo de Chefe do Governo da Iugoslávia por um ano, rotativamente, garantindo a igualdade entre as federações, inclusive ampliando a autonomia de Kosovo e Voivodina.

Até 1980, Tito era o líder supremo do país, o que manteve a unidade da Iugoslávia. Mas, depois de sua morte, essa forma colegiada de governo se mostrou ineficaz, pois os governantes nada podiam fazer em tão pouco tempo de mandato. Assim, o poder central foi sendo deixado de lado, ao mesmo tempo em que cresciam os poderes dos presidentes de cada região e os seus respectivos anseios de liberdade.

Problemas econômicos e fim do socialismo

À questão nacionalista somava-se a grave situação econômica: em torno de 50% da população iugoslava vivia em extrema pobreza. Em 1980, a inflação era de 40% ao ano. Para tentar contornar esse problema, Tito já havia criado, na década de 1960, um Fundo de Solidariedade, segundo o qual as regiões mais ricas deveriam ajudar as mais pobres. Por exemplo, Kosovo, muito pobre, recebia do Fundo de Solidariedade mais de um milhão de dólares por dia. Por sua vez, a Eslovênia, república mais rica, que se opunha ao Fundo de Solidariedade, aproveitou da crise pós-Tito para iniciar seu processo de independência.

Os problemas internos da Iugoslávia se agravaram quando o modelo socialista de governo começou a ruir no Leste Europeu: se o "povo iugoslavo" nunca existiu de fato, agora o socialismo não apresentava mais soluções para os problemas da Iugoslávia. A Glasnost, proposta de transparência política do líder soviético Mikhail Gorbachev, incentivou vários países do Leste Europeu, submetidos a ditaduras socialistas, a lutarem por maior autonomia política.

Nesse processo, o sistema de partido único da Iugoslávia se desintegrou. Em 1990 foram realizadas eleições em todas as federações iugoslavas e somente na Sérvia e em Montenegro venceram políticos que defendiam a manutenção da unidade iugoslava.

Slobodan Milosevic e o sonho da Grande Sérvia

A desintegração da Iugoslávia não interessava aos sérvios, já que minorias sérvias se encontravam por toda parte da Iugoslávia. Além disso, se as regiões se separassem, a Sérvia afundaria numa grande crise, pois não teria o apoio econômico da Eslovênia e da Croácia.

Dessa forma, o nacionalismo sérvio se reacendeu e encontrou no político Slobodan Milosevic seu principal líder. Milosevic ascendeu rapidamente em sua carreira política, ao defender a supremacia da Sérvia dentro da Iugoslávia e ao se colocar contra a independência de Kosovo, região autônoma da Sérvia, cuja maioria da população é de origem albanesa.

Desde a década de 1960 Kosovo demonstrava sua insatisfação por estar submetida à Sérvia. Em 1968, estudantes da Universidade de Prístina se rebelaram, mas foram silenciados pela ditadura de Tito. Com a morte do ditador, em 1981 uma nova rebelião de estudantes e operários aconteceu - e, nesse episódio, a população sérvia de Kosovo passou a ser violentamente atacada pelos albaneses.

Os sérvios consideram Kosovo o berço de seu povo, pois ali havia sido a sede de todo patriarcado sérvio na Idade Média (os sérvios, tendo se convertido à religião cristã ortodoxa na Idade Média, receberam o direito de ter seu próprio patriarcado, o que significava sua autonomia religiosa e política reconhecida pelo Império Bizantino). A imprensa sérvia noticiou com grande ênfase os massacres dos sérvios em Kosovo, o que fez aumentar o ódio da população sérvia espalhada por toda Iugoslávia.

Nas eleições de 1990, enquanto que na Eslovênia e na Croácia políticos democratas chegavam ao poder, Milosevic, na Sérvia, impôs uma emenda constitucional que reintegrava Kosovo e Voivodina (de maioria húngara) ao controle sérvio, determinando inclusive que o ensino do albanês e do húngaro fossem proibidos nas escolas das regiões.

As reações a tal atitude dos sérvios não tardariam: a Eslovênia e a Croácia, que nunca aceitaram uma autoridade sérvia, se proclamaram independentes. A Sérvia reagiu violentamente, invadindo seus territórios. Dessa forma, tiveram início dois dos mais terríveis conflitos étnicos na Europa pós-Segunda Guerra: a Guerra da Bósnia e a Guerra de Kosovo.

*Érica Turci é historiadora e professora de história formada pela USP.

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