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História Geral

Charles de Gaulle

General teve desempenho estratégico no pós-guerra

Vitor Amorim de Angelo
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Reprodução

A Cruz de Lorraine, escolhida pelo general de Gaulle como o símboldo da resistência francesa

O general Charles de Gaulle foi um dos personagens políticos mais importantes da França no século 20. Nascido em Lille, no norte do país, em 22 de novembro de 1890, De Gaulle empresta seu nome a monumentos, praças, pontes, estações de metrô e ônibus, ruas e avenidas de toda a França, numa prova de sua presença na vida nacional. O termo gaullismo, cunhado durante a Segunda Guerra Mundial, até hoje é usado no meio político francês. Entre os brasileiros, De Gaulle é muitas vezes lembrado pela famosa frase que lhe foi atribuída nos anos 1960: "O Brasil não é um país sério".

Resistência francesa

Embora tivesse participado ativamente da Primeira Guerra Mundial, ocupando diversos cargos na França e no exterior nos anos seguintes, foi mesmo durante a Segunda Guerra que Charles de Gaulle tornou-se uma figura importante em seu país. Quando o marechal Philippe Pétain, chefe do governo de Vichy, assinou o armistício com as forças nazistas, em 1940, pondo fim à resistência oficial da França à ocupação alemã, Charles de Gaulle estava em Londres.

Da capital britânica, o general, com o apoio do primeiro-ministro inglês Winston Churchill, fez o seu célebre discurso aos franceses pela rádio BBC, em 18 de junho daquele ano. "A chama da resistência francesa não deve se apagar nem se apagará", afirmou o general, incentivando seus compatriotas a continuarem combatendo as tropas alemãs. Nos anos seguintes, De Gaulle faria outros pronunciamentos através da rádio londrina. Sua voz se tornaria conhecida por toda a França, embora muitos nunca tivessem visto sua imagem.

Charles de Gaulle passou a ser reconhecido pelas forças Aliadas como chefe da França livre - uma espécie de governo no exílio, em oposição ao governo fantoche de Vichy, subserviente à Alemanha. Inicialmente pouco numerosa, a chamada Força Francesa Livre, organizada por De Gaulle no decurso da resistência, multiplicou-se na Inglaterra, onde atuava em meio aos militares britânicos, e também nas colônias francesas na África.

A partir de 1942, as relações entre o governo no exílio e o movimento de resistência dentro da França se tornaram mais estreitas. Todos, unidos, lutavam contra a ocupação nazista e o governo de Vichy.

Em junho de 1944, De Gaulle foi eleito presidente do Governo Provisório da República Francesa, representando o amplo arco de forças políticas envolvidas na resistência. Em setembro do mesmo ano, com a liberação e Paris, o governo provisório foi transferido para a capital francesa, onde De Gaulle fez um triunfal desfile pela Avenida Champs-Elysées. Foi então que muitos viram pela primeira vez aquele cuja voz escutaram pela BBC durante a guerra.

Presidente da República

A princípio, as forças Aliadas não reconheceram o governo do general De Gaulle, sob a justificativa de que este não havia sido eleito democraticamente. Foi apenas em outubro de 1944, três meses após a liberação de Paris, que Estados Unidos, União Soviética e Inglaterra declararam oficialmente seu apoio ao novo governo. Ao longo de 1944, várias medidas foram tomadas por De Gaulle no sentido de restabelecer as instituições democráticas na França. Entre elas, o inédito direito das mulheres de votar.

No ano seguinte, De Gaulle apresentou sua demissão à Assembléia Nacional francesa. Até meados dos anos 1950, o general continuou ativo na política. Em 1947, De Gaulle fundou o partido Rassemblement du Peuple Français (RPF), que apesar de sua curta existência - o RPF dividiu-se em 1955 - teve importante participação no cenário político do país no imediato pós-guerra. Em seguida, Charles de Gaulle se retirou momentaneamente da vida pública, no que ele chamou, em suas memórias, de "travessia do deserto".

De Gaulle saiu do deserto em 1958, quando, em meio à crise na Argélia, em guerra com a França, o presidente da República René Coty fez um apelo "ao mais ilustre dos franceses" para formar um novo governo. Em junho de 1958, De Gaulle foi eleito pela Assembléia Nacional. Era o início da 5ª República francesa. Uma nova constituição, dando mais poderes ao presidente, foi aprovada em setembro de 1958.

Começando pela Argélia, De Gaulle negociou o fim da guerra e a independência da colônia francesa no norte da África, formalizada em 1962. No plano internacional, seu governo aproximou-se da Alemanha, com quem deu início ao que seria a atual União Europeia, e afastou-se dos Estados Unidos, numa linha política mais independente.

Em 1968, De Gaulle enfrentaria mais uma grave crise política. Dessa vez, internamente. Os acontecimentos de maio de 1968 e nos meses seguintes desgastaram seu governo, sobretudo pela brutalidade da repressão ao movimento estudantil e operário. Em 1969, ao ver derrotado um projeto de seu governo em referendo popular, De Gaulle apresentou sua renúncia. Substituído por Georges Pompidou, seu ex-primeiro-ministro, De Gaulle retirou-se para sua casa de campo. Morreu em 1970, às vésperas de completar 80 anos.
*Vitor Amorim de Angelo é historiador, mestre e doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é pesquisador do Institut d'Études Politiques de Paris.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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